“É um risco demasiado grande e não podemos tomar esse risco”, avisa Silvio Berlusconi, o ex-primeiro-ministro italiano que recomenda o chumbo no referendo de 4 de dezembro. Berlusconi não se limitou a defender o voto contra as alterações constitucionais pedidas por Matteo Renzi, mas lançou um ataque pessoal feroz ao atual primeiro-ministro.

Bem conhecido por ter tentado consolidar o seu poder enquanto foi primeiro-ministro, Berlusconi acusou Renzi de ser um “contador de histórias, se calhar o melhor de sempre na República, melhor até do que eu“.

“Além disso, tem 40 anos, metade da minha idade, portanto tem boa energia e dinamismo para ir a vários sítios, todos os dias, para contar as suas mentiras”.

Numa entrevista citada pelo Financial Times, Berlusconi tentou posicionar-se como rosto do “não” às alterações constitucionais pedidas por Matteo Renzi. As opiniões dividem-se entre aqueles que acham que as alterações são essenciais para tornar a política italiana mais eficiente e poder fazer reformas estruturais mais rapidamente e, por outro lado, aqueles que dizem que as mudanças podem concentrar em demasia o poder no primeiro-ministro.

Italianos votam no dia 4 de dezembro

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O referendo, agendado para 4 de dezembro, um domingo, vai perguntar aos italianos se aceitam um conjunto de alterações constitucionais que acabem com o atual equilíbrio de poderes entre o Congresso de deputados e o Senado. Renzi quer diminuir o peso do Senado, que passaria de ter 315 assentos para 100 e deixaria de conseguir vetar orçamentos públicos e derrubar governos através de moções de censura.

Berlusconi avisa que Itália arriscar fazer uma “deriva autoritária”. “Há um risco de que possamos ver-nos numa ditadura de Renzi e do PD (partido de Renzi) ou uma ditadura de Grillo (o ex-comediante que lidera o Movimento Cinco Estrelas)”, avisa Berlusconi, lembrando que em Itália o partido mais votado recebe um bónus de lugares no parlamento que torna mais fácil a existência de maiorias que teriam, caso as alterações passem, menos contrapesos no poder.

O ex-primeiro-ministro Mario Monti, visto como um moderado e um europeísta, também já veio recomendar o voto no “não”.

As sondagens dizem que os italianos parecem ligeiramente mais inclinados para uma rejeição das alterações pedidas no referendo. Já não vai haver mais sondagens porque em Itália existe um período de blackout duas semanas antes do voto.

A confirmar-se, uma votação nesse sentido poderia lançar uma crise política em Itália, numa fase decisiva em que o Movimento Cinco Estrelas tem conquistado terreno nas sondagens e poderia, a julgar pelas mesmas sondagens, disputar o poder com os partidos do centro.