A metáfora é de José Ribeiro e Castro, antigo líder do CDS e crítico assumido do estado em que mergulhou o partido e o centro-direita português. Em entrevista ao jornal i, o democrata-cristão, que se despediu do Parlamento na última legislatura, fala dos erros estratégicos de PSD e CDS e critica a posição assumida pelos dois partidos no debate político: não basta dizer mal; é preciso construir uma alternativa,

“PSD e CDS estão a fazer o papel dos marretas no camarote do ‘The Muppet Show’. Fazem esse papel de maledicência, mas não há ali uma grande capacidade política. É preciso sair do camarote e ir ao palco. Faz parte da oposição dizer mal e criticar, mas é preciso construir, e construir, por vezes, é construir socialmente e gerar movimentos”, defende Ribeiro e Castro.

O antigo líder do CDS fala também das próximas eleições autárquicas e daquilo que diz ser a desorientação política de PSD e CDS. Sem um alterar do rumo escolhido, a “geringonça” vai sair reforçada na próxima corrida eleitoral, sugere o democrata-cristão.

“Eu vejo que se fala muito contra a geringonça mas estrategicamente fazemos-lhes favores atrás de favores. Não há uma estratégia para as autárquicas e isso significa que o espaço de entro-direita poderá ter resultados críticos. Se continuarmos assim a geringonça poderá ganhar nas próximas autárquicas um novo fôlego para a outra metade de legislatura”, defende Ribeiro e Castro.

E quanto a uma eventual coligação entre CDS e PSD em torno da candidatura de Assunção Crista a Lisboa, o democrata-cristão acredita que “as condições estão um bocadinho fragilizadas para que isso seja possível”.

Ainda que elogie o desempenho de Assunção Cristas como candidata autárquica — “está a sair-se bem” –, o antigo líder do CDS não deixa de criticar todo o processo que esteve na génese da candidatura da centrista, sugerindo que Cristas foi empurrada para as eleições pelos opositores internos. “É aquilo que considero que faz parte do arsenal clássico de sacanices internas”.