Donald Trump assinou esta sexta-feira uma série de novas medidas, extremas, para “manter os radicais do Estado Islâmico longe dos Estados Unidos da América”. O documento, intitulado “Proteção da Nação Contra a Entrada de Terroristas Estrangeiros nos Estados Unidos da América”, foi assinado depois da tomada de posse do novo Secretário da Defesa, o General James Mattis, no Pentágono. “Todos sabemos o que isto quer dizer”, afirmou, referindo-se ao título.

“Não os queremos cá. Queremos assegurar que eles não deixamos entrar no nosso país as ameaças que os nossos homens e mulheres estão a combater no exterior”, disse, citado pela CNN, sem especificar o conteúdo do documento. “Só queremos deixar entrar no nosso país aqueles que nos apoiam e adoram profundamente o nosso povo.”

Este foi um de três documentos assinados esta sexta-feira por Trump, depois de ter recebido na Casa Branca Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido. Um deles diz respeito ao reforço do equipamento militar, de modo a “assegurar que os sacrifícios dos nossos militares são apoiados pelas ações do nosso Governo”. O presidente norte-americano afirmou que quer “novos aviões, novos navios, novos recursos”.

Ao início da tarde, vários órgãos de comunicação norte-americanos anunciaram que estaria para breve a assinatura de novas medidas que restringissem a entrada de refugiados nos Estado Unidos. Um rascunho do documento, consultado pelo jornal The Guardian na quarta-feira, previa a redução da entrada de refugiados para 50 mil em 2017, menos de metade do que era previsto. E com restrições a nacionalidades, como a síria.

Entre 1 de outubro de 2015 e 30 de setembro de 2016, os Estados Unidos da América acolheram 84.994 refugiados de várias nacionalidades, incluindo cerca de dez mil sírios. A administração de Barack Obama tinha previsto 110 mil refugiados para o exercício orçamental seguinte, número que Donald Trump pretende agora reduzir.

O rascunho falava na proibição da entrada de novos refugiados sírios no país por data indeterminada, com o objetivo de “prevenir a admissão de estrangeiros que pretendem tirar partido das leis de imigração dos Estados Unidos com propósitos malévolos”. O texto prevê também a suspensão do programa federal de admissão e reinstalação de refugiados de países em guerra, um programa humanitário ambicioso criado por uma lei do Congresso em 1980, durante quatro meses.

Refugiados cristãos terão prioridade

Numa entrevista ao Christian Broadcasting Network esta sexta-feira, Donald Trump afirmou que os refugiados cristãos, que têm sido tratados de “forma horrível”, terão prioridade na entrada no país. “Se fores muçulmano consegues entrar, mas se fores cristão é quase impossível”, disse o presidente norte-americano, citado pela CNN, sem porém explicar os motivos que terão levado os organismos responsáveis a darem prioridade a muçulmanos.

Referindo-se às execuções levadas a cabo pelo Estado Islâmico, Trump disse que os jihadistas “cortaram a cabeça a toda a gente, mas mais dos cristãos”. “Acho que isso foi muito, muito injusto. Por isso, vamos ajudá-los.”

De acordo com a Reuters, porém, as estatísticas disponíveis, não confirmam o referido pelo presidente dos Estados Unidos. Em outubro do ano passado, o Pew Research Center divulgou dados que indicam que, em 2016, o número de refugiados cristãos e muçulmanos que entraram foi praticamente o mesmo — 37.521 e 38.901, respetivamente.