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Cisão no G7. Pela primeira vez, compromisso contra o aquecimento global não incluiu todos os países

As preocupações com a redução da emissão de gases nocivos são uma constante nas declarações final do G7. Este ano, Donald Trump não se quis comprometer. Debate foi "muito insatisfatório", diz Merkel.

Líderes das sete maiores economias do mundo revelaram-se contra o protecionismo económico

TIBERIO BARCHIELLI/CHIGI PRESS OFFICE HANDOUT/EPA

É a primeira vez que uma cimeira dos líderes das principais economias do mundo (G7) chega ao fim com uma clara cisão entre os Estados Unidos e os restantes seis países sobre um assunto cuja importância não se confina às margens do grupo: a urgência em controlar o aquecimento global.

No comunicado final, os sete países (Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Japão, Canadá) reconheceram, este sábado, a incapacidade para encontrar um terreno de entendimento com os Estados Unidos sobre a luta contra o aquecimento climático.

Os Estados Unidos da América estão envolvidos num processo de revisão da sua política sobre as alterações climáticas e o Acordo de Paris e estão, ainda, em posição de participar no consenso sobre estas questões. Conscientes deste processo, os líderes dos governos do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Reino Unido, e os presidentes do Conselho da Europa e da Comissão Europeia reafirmam o seu compromisso de defender a implementação rápida o Acordo de Paris” , lê-se no comunicado.

Os vários intervenientes na cimeira terão mantido conversações “durante toda a noite”, segundo a agenda Reuters, mas não conseguiram estabelecer pontes entre as exigências dos Estados Unidos e as resoluções que constam no Acordo de Paris, assinado em 2015, e que incluem um compromisso para cortar as emissões de dióxido de carbono. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha já dito que o aquecimento global por culpa da ação do homem, a causa apontada para o fenómeno pela maioria dos cientistas, “é uma piada”. Também através da rede social Twitter, Trump informou que só tomará uma decisão sobre se mantém ou não os Estados Unidos sob as obrigações estabelecidas em Paris na próxima semana.

Quem não escondeu a frustração foi a chanceler alemã Angela Merkel. Em declarações aos jornalistas no final da cimeira, Merkel disse que o debate à volta das alterações climáticas tinha ficado àquem das expectativas, notando que os Estados Unidos ficaram “complemente isolados” na sua recusa em se comprometerem com os Acordos de Paris.

“Toda a discussão sobre o clima foi muito difícil, para não dizer mesmo muito insatisfatória. Não temos indicações de que os Estados Unidos de facto venham a permanecer no Acordo de Paris”, disse Merkel.

Donald Trump, concordou, porém, com a “linguagem” do documento no que toca ao comércio e não se opôs à inclusão do compromisso assinado por todos os países em combater o protecionismo e continuar a apoiar o comércio internacional sustentado nos tratados internacionais celebrados nesta área. Durante a campanha para Presidente dos Estados Unidos, Trump disse que queria a aplicação de tarifas à importação de bens mexicanos e chineses e, durante esta conferência, voltou a dizer que a Alemanha era “um país muito mau” porque vendia mais do que comprava aos Estados Unidos, elegendo como principal problema a importação de automóveis alemães.

Na agenda da conferência esteve, também, o terrorismo e o controlo da crise de refugiados, que chegam aos milhares ao litoral italiano todos os anos. Sicília, onde terminou a conferência, é uma zona especialmente afetada por este fluxo e a Itália tem enviado vários pedidos a Bruxelas para que os restantes países europeus repartam as responsabilidades e os custos de alojar estas pessoas. Um diplomata europeu, que falou à Reuters sob anonimato, disse que a oposição dos norte-americanos e dos britânicos à “linguagem da liberdade de movimento” foi muito clara e que ambos os países se focaram mais na “linguagem da segurança”.

Os líderes do G7 reclamaram, neste sábado, “esforços coordenados” nacional e internacionalmente para a gestão do fluxo migratório e reafirmaram a luta contra o protecionismo. Ainda assim, ficou escrito que os signatários defendem “os direitos humanos de todos os imigrantes e refugiados”, mas reafirmam “os direitos soberanos dos Estados, individuais ou coletivos, para controlar as suas próprias fronteiras no seu interesse e segurança nacional”, segundo se lê no comunicado final da reunião, que decorreu na cidade italiana de Taormina.

Outra posição tomada pelo G7 teve como destinatário a Coreia do Norte, que deverá “abandonar todos os programas balísticos e nucleares” de forma “verificável e irreversível”. Depois de longas horas de negociação, os sete países acordaram, também, em inserir na declaração final da cimeira a possibilidade de novas sanções contra a Rússia, se vier a verificar-se serem necessárias.

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