“As crianças eram mantidas em quartos separados, trancados do lado de fora. Não tinham acesso a comida, água, luz ou casa de banho”, lê-se num comunicado emitido pela polícia do condado de Pima, no sul do estado norte-americano do Arizona, citado pelo Tucson News Now. Regularmente, e por mais de 12 horas, eram estas as condições em que os quatro filhos adotivos de Benito, de 69 anos, e Carol Gutierrez, de 64, eram mantidos na casa da família na Rua North Flowing Wells, em Pima. Num dos quartos foi encontrado um balde que era usado como retrete, de acordo com as autoridades.

O caso começou a ser investigado pela polícia no passado sábado depois de uma das quatro crianças, com idades entre seis e 12 anos, ter conseguido fugir pela janela e dirigir-se a uma loja perto da casa. Explicou o que estava a acontecer e pediu para usar o telemóvel para chamar as autoridades. O funcionário da loja acabou ele próprio por fazê-lo, face à idade e condição da crianças, relatou a polícia.

As crianças foram retiradas da casa e Benito e Carol foram detidos na passada terça-feira com um valor de fiança estabelecido de cerca de 20 mil euros cada um. Ainda que através de videochamada, o casal foi presente a tribunal esta quarta-feira e acusado de quatro crimes de abuso infantil. Deverão voltar no próximo dia 5 de março, às 13h30 locais.

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Este caso foi revelado cerca de um mês depois de outro semelhante ter sido descoberto — e que ficou conhecido como “casa dos horrores” — mas numa dimensão maior e no estado norte-americano da Califórnia. Eram 13 filhos acorrentados aos móveis e mantidos subnutridos pelos pais biológicos, Louise e David Turpin. Apesar das diferenças, ambos os casos assemelham-se na forma como foram revelados: na “casa dos horrores”, a filha de 17 anos também fugiu pela janela. Conseguiu alcançar um telemóvel e denunciar a “história perturbadora” às autoridades. Quando a polícia chegou à casa no número 160 da Rua Muir Woods, em Perris, no condado de Riverside, deparou-se com este cenário: “Várias crianças acorrentadas às suas camas com correntes e cadeados, na escuridão e num ambiente com cheiros nauseabundos“. Desde então, os detalhes sobre o caso não pararam de surgir.