Vários utilizadores do Facebook ou, melhor, ex-utilizadores estão a ser surpreendidos pela quantidade de dados que a rede social conserva sobre cada pessoa, o que inclui registos de chamadas pessoais e mensagens escritas (SMS). Ao pedirem para a conta ser removida, de forma permanente (o que não é um processo fácil), a rede social permite que o utilizador extraia dos servidores toda a informação que algum dia foi recolhida a seu respeito, o que inclui publicações, fotos e gostos. Mas alguns utilizadores estão, segundo o jornal britânico The Guardian, a encontrar informação (metadados) sobre todas as chamadas que foram feitas com o telemóvel: quando, com quem e com que duração.

Segundo o portal de notícias de tecnologia The Vergeo fenómeno parece ser mais prevalente nos dispositivos Android. É também a essa conclusão que chega a publicação especializada Ars Technica: o Facebook tem pedido para ter acesso a contactos, dados dos SMS e histórico de chamadas com a justificação de que quer ajudar o algoritmo da rede social a distinguir aquilo que são contactos próximos e outros contactos menos frequentes, tais como contactos profissionais.

Um porta-voz do Facebook, questionado pelas várias publicações especializadas sobre esta questão, procurou esclarecer como e porque é que a rede social guarda toda aquela informação detalhada. O responsável garante que a intenção é “tornar mais fácil para as pessoas encontrarem as pessoas com quem se querem conectar. Portanto, na primeira vez que se entra numa app de rede social ou mensagens [como o Facebook, mas não só], é uma prática comum começar por partilhar os contactos de telemóvel.

O porta-voz sublinha que essa partilha é “opcional”. “É expressamente perguntado às pessoas se querem dar autorização a que sejam partilhados os seus contactos do telemóvel”, acrescenta a mesma fonte.

O que o porta-voz não esclarece é porque é que a informação sobre as interações com esses contactos (e não apenas os contactos em si) fica registada com um nível de detalhe que está a surpreender muitos utilizadores, muitos dos quais estão a bater com a porta depois do escândalo da Cambridge Analytica.