O líder do PSD, Rui Rio, afirmou este sábado que o partido terá uma “posição oficial” sobre o Orçamento do Estado (OE) para 2019 quando a proposta for conhecida, sublinhando que só é a favor ou contra aquilo que conhece. “Podem dizer o que quiserem, eu repito o que digo desde pequenino: não sou a favor nem contra aquilo que desconheço. Eu só sou a favor ou contra aquilo que conheço”, referiu em Vila Verde, onde está a participar na festa do 44.º aniversário da Juventude Social Democrata (JSD).

Rio “lembrou” que nenhum dos 10 milhões de portugueses conhece a proposta do próximo OE, “porque ela não existe”. “Como é que posso dizer que sou a favor ou contra uma coisa que eu desconheço em absoluto e que não existe? Eu recuso-me a fazer política nesses termos”, acrescentou.

Recorde-se que na quinta-feira, numa reunião da bancada parlamentar do PSD, o líder parlamentar, Fernando Negrão, admitiu que os deputados sociais democratas votariam “tendencialmente contra” o Orçamento do Estado apresentado pelo Governo, mesmo antes de o documento ser conhecido.

Garantiu que “não há divisão nenhuma” no interior do PSD sobre o próximo OE, adiantando que “as pessoas têm a liberdade de pensar como muito bem entendem”. Quando a proposta de OE for conhecida, o PSD “naturalmente, terá uma posição oficial”.

“Até lá, todos têm liberdade de dizer o que pensam. Quando as opiniões das pessoas são genuínas e sentidas, tenho o máximo de respeito. Quando são maldosas, quando são táticas, quando são difamatórias, aí não tenho respeito nenhum”, rematou Rio

Caos na saúde com a passagem às 35 horas é “símbolo da irresponsabilidade” do Governo

O presidente do PSD reiterou ainda que os problemas nos hospitais portugueses decorrentes da passagem às 35 horas de serviço para a totalidade dos profissionais de saúde é “símbolo da irresponsabilidade de quem, para ser simpático e para conseguir uma solução política no Parlamento que permitisse ser governo, acabou a dar aquilo que não podia dar”.

Em declarações aos jornalistas em Vila Verde, Rui Rio destacou que “baixar das 40 horas para as 35 sem ter capacidade de resposta dá que neste momento nos hospitais portugueses estão de certeza muitas pessoas a sofrer por força dessa irresponsabilidade”.

Para Rui Rio, esta “simpatia” do governo acabou por se revelar o oposto para os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS). “Nós fazemos esta redução, queremos ser simpáticos mas não temos condições para isso. Portanto, nós somos simpáticos para algumas pessoas e depois o Governo foi antipático para milhões de pessoas, que são os utentes do SNS”, afirmou.

“Isto é a prova evidente de que esta solução governativa, ou esta solução parlamentar que permite a este governo ser governo é algo que é pesado para os portugueses a diversos níveis. O governo vende aquela ideia do milagre económico, que não é milagre nenhum, ainda por cima há esta desorganização dos serviços, e num setor absolutamente essencial que é o SNS. É muito mau”, disse.

Rui Rio pediu ainda aos portugueses que “façam o balanço e que possam aferir o que se está a passar” neste campo, sublinhando que a “irresponsabilidade” de baixar para as 35 horas sem acautelar o funcionamento dos serviços “decorre de uma negociação política com o Bloco de Esquerda e com o PCP que não é viável”.

O presidente do PSD referiu-se ainda ao acordo de concertação social sobre as leis laborais sublinhando que tem “respeito” pelo documento, mas recusou qualquer inclinação de António Costa à direita ou à esquerda. “O primeiro-ministro não se encostou nem desencostou nem à direita nem à esquerda. Houve um acordo de concertação social, assinado pelas entidades patronais, os representantes dos patrões e os representantes dos trabalhadores, a UGT e as confederações patronais, que acertaram aquele texto”, afirmou.

“Temos imenso respeito pelos acordos de concertação social. Não quero dizer que defendo melhor os trabalhadores do que a UGT e não quero dizer que defendo melhor os patrões que as próprias entidades patronais. Nesse sentido eu tenho respeito pelo acordo. Mas é por aquele acordo. Se for para andar a fazer grandes alterações no Parlamento, então as coisas já são completamente diferentes. Isto não é à direita nem à esquerda. Se desvirtuarem isso no Parlamento logo veremos as alterações que são feitas”, disse Rio.