Presidente Trump

Trump: “Compromisso dos EUA com a NATO continua muito forte”

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Presidente dos EUA estava "furioso" com a mensagem que saiu do primeiro dia de reuniões. Ameaçou com "graves consequências" para a aliança militar mas regozija-se com novo pacote de compromissos.

IAN LANGSDON/EPA

Minutos antes de Donald Trump dar uma conferência de imprensa de balanço sobre as conclusões dos dos dias de reuniões na cimeira NATO, o Politico avançou a informação de que o presidente dos EUA tinha ameaçado romper com a aliança e retirar o país da aliança militar. Trump não escondeu o descontentamento com o que ouviu no primeiro dia mas — sem afastar a ideia de que ponderou saltar fora do acordo — sai de Bruxelas satisfeito. “Estamos a conseguir números como nunca conseguimos”, depois de os aliados se comprometerem com gastos de 2% dos respetivos PIB em Defesa (e de já se apontar aos 4% a longo prazo).

A versão sobre o que terá acontecido numa reunião à porta fechada não é, no entanto, consensual. Duas fontes diplomáticas questionadas pela agência Reuters sobre se Trump teria feito uma ameaça com a saída unilateral responderam laconicamente: “Não.” Citando elementos presentes nos encontros, a Reuters diz, no entanto, que o tom é duro. E descreve um momento de quebra de protocolo em que Trump se terá dirigido a Angela Merkel pelo próprio nome para pedir que tentasse por a casa em ordem.

Angela, tens de fazer alguma coisa em relação a isto”, terá dito Trump.

A seguir a estas informações serem conhecidas, Donald Trump subiu ao palco e deu uma longa conferência de imprensa. O presidente dos EUA garante que está “satisfeito” com as garantias que conseguiu obter dos parceiros NATO mas também fica claro que, apesar das referências a uma “excelente reunião” com os líderes europeus e canadiano, as conversas foram duras.

Ontem, fui muito firme”, disse Trump, garantindo que depois das negociações destes dois dias em Bruxelas, “o compromisso dos EUA com a NATO continua muito forte”.

Foi a descompressão por que se esperava na capital belga. O presidente norte-americano chegou à Bélgica com queixas e acusações de que os parceiros não estão a cumprir com as suas responsabilidades em investimento, recebeu garantias de que os 2% serão atingidos por todos os 29 países e ainda elevou a fasquia para os 4%, a longo prazo — esse, diz, é o “número certo”, a contribuição a que todos devem apontar. “Estamos a conseguir números como nunca conseguimos”, sublinhou Trump. Números que se traduzem num reforço de 33 mil milhões de dólares em investimentos no setor militar.

A NATO, diz, está “muito forte, muito mais do que há dois dias”, considera o presidente dos EUA. “A NATO é agora uma máquina oleada, as pessoas pagam o que nunca pagaram e os EUA estão a ser tratados de forma mais justa”, resumiu.

O discurso de Trump em Bruxelas tem estado focado nas exigências de que os 28 parceiros dos EUA na NATO assumam as suas responsabilidades. E, durante uma reunião com os líderes da Georgia e da Ucrânia, esta quinta-feira, esse discurso subiu de tom. A posição assumida por Trump terá mesmo levado o secretário-geral da NATO a alterar a reunião do conselho do Atlântico Norte — o órgão político de topo da organização — para uma reunião de emergência exclusiva dos aliados. Entre outros, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ficou fora do encontro.

O presidente dos EUA não terá gostado da forma como a comunicação social estava a referir-se ao primeiro dia de reuniões, esta quarta-feira, dando a ideia de que tudo estava a decorrer com normalidade.

À chegada a Bruxelas, na quarta-feira, Trump já tinha deixado claro que tinha viajado até ao centro da Europa para acertar contas com os parceiros NATO e para exigir que os gastos com o setor militar sejam elevados, subindo para os 4% do PIB com que cada país se comprometeu até 2024. Aliás, antes mesmo de se juntar aos líderes dos outros 28 países, o presidente dos EUA já deixara promessas de pretender agitar as águas.

Não é a primeira vez que a atual administração norte-americana se refere a uma eventual saída da aliança militar. Na véspera da última cimeira da NATO, recorda o corresponde da France 24 em Washington, Philip Crowther, um responsável da Casa Branca disse que Donald Trump “gostaria de permanecer na NATO” mas que “não ficará se a NATO não fizer muitos mais progressos rapidamente”.

Já na altura ficava o aviso: “Vamos ver se há mudanças efetivas em relação à NATO ou tentaremos outra abordagem a esta questão.”

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Diana Soller

As eleições intercalares mostram, acima de tudo, que muito pouco mudou desde a vitória de Trump. Continuamos perante a uma América profundamente polarizado, sem qualquer vontade de se reconciliar.

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