Ricardo Robles não vai renunciar ao mandato de vereador na Câmara Municipal de Lisboa. Depois de esta sexta-feira o Jornal Económico ter noticiado que o vereador pôs à venda um prédio por 5,7 milhões de euros depois de o ter comprado por 347 mil, o vereador do Bloco de Esquerda anunciou que não vai pedir a demissão numa conferência de imprensa esta tarde, na sede do partido.

“É falso que tenha havido qualquer despejo e considero que procedi de forma exemplar. Não há nada de reprovável na minha conduta”, afirmou aos jornalistas. As explicações que apresentou para justificar a compra do imóvel, que se encontra na zona histórica da capital, em Alfama, e os alegados despejos prenderam-se com razões familiares. Segundo o vereador do Bloco de Esquerda, o motivo para a aquisição do imóvel foi o facto de a sua irmã querer voltar para Lisboa. Residente na Bélgica, tinha “a intenção de regressar a Portugal com o seu filho”. O imóvel foi comprado para ser “a sua habitação”. Adquiririam o prédio entre os dois “com recurso a empréstimos bancários” e à ajuda dos pais.

Segundo as explicações do vereador do BE, o imóvel encontrava-se degradado e, por ordens da Câmara Municipal de Lisboa, que alegou “a segurança de pessoas e bens, tinha de sofrer intervenções para ser recuperado. Na altura, existiam cinco espaços ocupados. “A todos”, sublinha Ricardo Robles, foi oferecida a possibilidade de renovarem o arrendamento quando as obras terminassem. Dos “cinco contratos de arrendamento ativos”, apenas um se mantém atualmente no prédio, com uma renda mensal de 170 €.

Enquanto decorriam as obras, a irmã de Ricardo Robles casou-se “com um alemão, também residente na Alemanha” com quem teve um segundo filho. Esta nova realidade familiar fez com que houvesse uma alteração dos seus planos pessoais. “Isso levou a minha irmã a abandonar a ideia de regressar a Portugal, o que lamento”, disse Robles. Assim, para fazer face às despesas entretanto contraídas e “ao contrário do plano inicial”, decidiram colocar o imóvel no mercado. O preço foi estabelecido por uma imobiliária: 5,7 milhões de euros.

Depois de seis meses à venda, o prédio saiu do mercado. Ricardo Robles decidiu então passar o prédio para propriedade horizontal, podendo cada um dos irmãos responsabilizar-se pelas suas frações. “Esta decisão não foi especulativa. Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento. Compreendo as razões da minha irmã para não voltar e arrendar.” Esta atitude, defende, não é de todo especulativa.

[Reveja neste vídeo os ataques de Ricardo Robles ao “carrocel da especulação”]

“A minha família comprou o prédio para habitar [pela irmã] e para arrendar em partes”, e não para a vender por um valor mais elevado depois, insistiu. “Nada fiz de condenável e nada tenho a esconder”, afirmou o vereador bloquista, sublinhando que fez o oposto daquilo pelo qual o criticam. “Só uma fração estava arrendada para habitação, mas sem contrato legal. Em vez do despejo, que é a regra, realizei com este casal um contrato, agora regular. De oito anos e com renda de 170 euros”, destacou.

Contra o Carrossel da Especulação

Durante a campanha para as autárquicas, Ricardo Robles falou por diversas vezes no “carrossel da especulação imobiliária.” O então candidato apontava este dado como um fator que colocava em causa o direito dos lisboetas à habitação. Numa entrevista no Carpool do Observardor, o então candidato do Bloco de Esquerda a Lisboa defendia uma alteração ao Plano Diretor Municipal para que, de cada vez que houvesse uma construção nova ou uma grande intervenção de reabilitação, se reservasse “25% ou uma percentagem a definir de fogos a custos controlados”.

(em atualização)