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A Protecção Civil encomendou umas golas anti-fumo que por acaso eram inflamáveis. Ao princípio, parecia apenas mais um daqueles “casos” que têm servido aos actuais ministros para ensinarem que, enquanto governarem, as responsabilidades são sempre de outros. Depois, porém, descobriu-se que a empresa fornecedora tinha sido criada quase de véspera, para fazer o negócio a preços inflacionados, e que os criadores da oportuna start-up eram socialistas, recomendados por um correligionário no governo. A imprensa foi atrás da pista e não ficou por aí: quando escrevo, já tinha contado quase meia centena de contratos em que, contra a lei, familiares de governantes socialistas fizeram negócios com o Estado.

As coisas agora são assim: puxa-se por uma ponta, até pode ser uma gola, e vem logo o resto, que é a história de como um partido se reduziu a umas quantas famílias e essas famílias monopolizam o governo, o Estado e os negócios com o Estado. Mas como podia ser de outra maneira? O Partido Socialista está há praticamente um quarto de século no poder, tirando férias apenas nos momentos em que, como em 2002 ou em 2011, deixa de haver dinheiro para arranjar empregos e fazer negócios. Há muito tempo que mais ninguém pode rivalizar com sua influência ou substituir as suas redes. O Estado é cada vez mais o PS.

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