Os cães das equipas cinotécnicas que estavam a auxiliar nas operações de busca na pedreira de Borba terão sinalizado, por mais do que uma vez, o local onde pode estar a segunda vítima da derrocada. Suspeita-se que o corpo possa estar junto à retroescavadora na qual trabalhava. Os trabalhos que já foram retomados na manhã desta sexta-feira vão focar-se na retirada dos escombros nessa zona, no bombeamento da água e, também, na utilização do sonar da Marinha.

A Marinha cedeu o vídeo das operações.

Considerando que a vítima poderá estar presa por baixo da terra e rochas que caíram juntamente com a estrada, os trabalhos para remover rochas de grande dimensão já se iniciaram na quinta-feira. A maior preocupação era que a remoção desses grandes blocos agravasse a instabilidade dos taludes e que provocasse novos aluimentos de terras. Até ao momento, não se registou um agravamento das condições de estabilidade no local.

A sinalização do local feita pelos cães na quinta-feira ajuda a concentrar as atenções numa área específica, mas só a tirada dos escombros vai permitir confirmar se esse é mesmo o local onde se encontra o corpo da vítima.

O mini-submarino da Marinha, equipado com um sonar, já foi colocado na água. A ideia é conseguir identificar as outras viaturas que se suspeita terem caído durante a derrocada. O equipamento já estava no local desde quinta-feira, mas ainda não tinha sido colocado na água por causa da instabilidade dos taludes.

Ainda esta tarde devem chegar mergulhadores ao local, que também só entrarão na água se for garantida a segurança dos profissionais.

Neste quinto dia de operações, vão continuar os trabalhos de remoção de rochas e terra, mas também o de bombeamento da água do poço. Para ajudar nesta tarefa, vai entrar em funcionamento uma quarta bomba. Esta quinta-feira, as três bombas presentes estavam a retirar cerca de 700 mil litros de água por hora, o que fez diminuir significativamente o nível da água. A ausência de chuva prevista para esta sexta-feira também poderá facilitar esta tarefa.

O Comando Distrital de Operações de Socorro (Codis) de Évora disse, esta quinta-feira, que a operação de drenagem “está a correr dentro daquilo que era estimado”, mas “o volume de água é muito grande”. “Vamos ter de fazer a entrega da água mais à frente, cerca de um quilómetro do local onde estávamos a pensar efectuá-la, o que implica a colocação de mais tubo”, referiu José Ribeiro, comandante distrital de Operações de Socorro de Évora.

A dificuldade de remover blocos muito grandes e a instabilidade do local, justifica que as operações demorem muito tempo e que até ao fim do quarto dia ainda só tenha sido possível resgatar um corpo. “Acho que não tem falhado nada, o que é difícil é, realmente, o teatro de operações que nós temos, o local”, disse José Ribeiro, comandante distrital de Operações de Socorro (CODIS) de Évora, em conferência de imprensa, esta quinta-feira.

“Tudo isso acrescenta dificuldade, ao mesmo tempo em que estamos a trabalhar a uma profundidade muito significativa e em que corremos, permanentemente, o risco de uma nova derrocada. Portanto, todas as manobras têm de ser calculadas, porque todas as remoções de pedras, todos os trabalhos lá em baixo, podem ter repercussão depois em novos desmoronamentos”, disse José Ribeiro, num ponto de situação das operações ao início da noite de quinta-feira.

Geólogos alertam para risco de desabamento do restante troço da estrada

O presidente da Associação Portuguesa de Geólogos (APG), José Romão, alertou para o risco de desabamento do restante troço da estrada, junto às pedreiras em Borba, no distrito de Évora, que colapsou na segunda-feira. Em declarações à agência Lusa, o responsável avisou que os possíveis novos deslizamentos podem ser provocados pela liquefação do material argiloso que não caiu ou pela falha por onde o material que já caiu descolou.

José Romão observou que “a argila entrou em liquefação e provocou o deslocamento do material”, mas advertiu que “outra parte, que ainda não entrou em liquefação, está lá e pode chegar, outra vez, ao limite de liquidez” e provocar um novo deslizamento. Por outro lado, o presidente da APG alertou que “a falha por onde escorregou o material”, na segunda-feira, “pode prolongar-se para um lado ou para o outro” da estrada e pode originar um novo deslizamento “mais à frente ou mais atrás”.

O também geólogo salientou, por outro lado, que podem ocorrer “novos escorregamentos em consequência de um novo desequilíbrio da vertente”, sublinhando que terá de haver “muito cuidado com a retirada do material” que se acumulou no sopé da vertente. “Se este tempo continuar, com mais chuva, a água vai fazer com que haja instabilidade das argilas que estão no topo e vai lubrificar as zonas de acidente”, havendo “tendência para a ocorrência de mais escorregamentos”, sublinhou.

José Romão considerou que “as vertentes íngremes próximas de 90 graus e a existência de falhas e fraturas” são “fatores que potenciam os escorregamentos”, mas referiu que o deslizamento de terras e colapso de um troço da estrada, na segunda-feira, poderá ter sido desencadeado pela “chuva e vibração” dos veículos que passavam na via.

Correção: os cães não localizaram a vítima, mas sinalizaram um local onde é possível que se encontre um corpo