Parece ter atuado de forma isolada o suspeito que na terça-feira “semeou o terror em três pontos da cidade” de Estrasburgo, nas palavras do ministro francês da Administração Interna. O homem matou duas pessoas, feriu 13 (uma delas está em morte cerebral) e, depois de várias trocas de tiros com as autoridades, terá roubado um táxi que usou para se colocar em fuga. Eis o que se sabe e o que falta saber sobre as circunstâncias deste ataque que as autoridades trataram como um ato de terrorismo organizado mas que um governante indicou, esta quarta-feira, ainda não se poder fazer essa ligação.

A primeira informação que não é conhecida é a localização do suspeito, identificado pelas autoridades como Chérif Chekatt. Trata-se de um homem de 29 anos, já referenciado pelas autoridades como “muito perigoso” e que abriu fogo indiscriminadamente, usando uma arma automática, perto do mercado de Natal de Estrasburgo, um local muito concorrido por residentes e turistas nesta época do ano.

Para escapar do local do crime terá roubado um táxi, cujo condutor confirmou que o suspeito teria sido baleado pelas autoridades numa das trocas de tiros que teve com militares da Operação Sentinela, a unidade criada após os ataques terroristas de 2015. Não foi ferido o condutor do táxi de que Chérif Chekatt se apoderou.

“Os soldados da Sentinela usaram as suas armas para tentar intercetar o suspeito, e ente as 20h20 e as 21h00 [menos uma hora em Lisboa] ele confrontou as nossas forças de segurança, por duas vezes, com trocas de fogo sistemáticas”, relatou o ministro da Administração Interna, Christophe Castaner. Numa dessas trocas de tiros, um militar terá sido atingido pelo ricochete de uma bala disparada pelo suspeito — é um dos feridos.

Estrasburgo. Continua a caça ao atirador que gritou “Alá é grande!” enquanto disparava sobre a multidão

Descendente de magrebinos mas com nascido em Estrasburgo, o homem já teria sido condenado (e cumpriu pena) tanto em França como Alemanha, por delitos menores. Mas estaria sob vigilância, embora não constante, por parte das autoridades francesas que o tinham referenciado como um homem radicalizado. Uma informação que falta esclarecer é a que foi avançada pela televisão France 3, de que o suspeito deveria ter sido ouvido pelas autoridades na manhã de terça-feira, no âmbito de uma investigação por homicídio. Esse interrogatório não aconteceu e, horas depois, o homem provocou o tiroteio no mercado de Natal da cidade francesa.

[Veja no vídeo a homenagem que cinco mil adeptos franceses fizeram às vítimas do tiroteio]

O ataque ainda não foi reivindicado pelo Estado Islâmico mas organizações que monitorizam a atividade de grupos jihadistas na Internet relatam que o ataque está a ser celebrado por apoiantes da organização terrorista. As granadas que foram encontradas no apartamento onde Chérif vivia podem indicar que estava a ser planeado um atentado, mas as autoridades ainda não divulgaram mais detalhes, enquanto prossegue a caça ao homem, que envolve 350 polícias e militares.

Numa conferência de imprensa, esta quarta-feira, com o secretário de Estado do Ministério da Administração Interna, Laurent Nunez, admitiu que o suspeito poderá ter fugido para a Alemanha. E o procurador-geral da República comentou que o homem gritou “Allahu Akbar” (Alá é grande) enquanto disparava sobre a multidão. Quatro pessoas “próximas” do atirador terão sido detidas esta quarta-feira.

Nascido em Estrasburgo, ladrão e sinalizado como perigoso. O que se sabe do suspeito do ataque a tiro

Ainda não são conhecidas as identidades — nem mesmo as nacionalidades — das vítimas mortais. Foi noticiado que um dos mortos é um turista tailandês que estava a visitar o mercado de Natal. Não se sabe a nacionalidade das outras duas vítimas mortais e, contactada pela Lusa, fonte da secretaria de Estado das Comunidades disse, pelas 7 horas, que “ainda não tem informações a respeito da nacionalidade das vítimas”.