O momento gerou uma ruidosa troca de acusações entre esquerda e direita esta manhã no Parlamento. Quando os deputados foram chamados a votar um voto de pesar e de condenação pela morte de manifestantes na Venezuela, apresentado pelo PSD e pelo CDS, todos os olhos recaíram sobre as bancadas do Bloco de Esquerda, do PCP e do PEV. Quando Ferro Rodrigues perguntou “quem vota contra?” os três grupos parlamentares levantaram-se. Imediatamente os protestos da direita inundaram a sala. Indignados, os partidos de esquerda retorquíram, criando um momento de discussão com os microfones desligados que obrigaram o Presidente da Assembleia da República a parar por uns segundos os trabalhos e a pedir calma ao hemiciclo.

Os protestos vieram das várias bancadas. Pouco mais foi percetível do que os gritos de “vergonha” vindos da direita. Os deputados comunistas Francisco Lopes e Rita Rato estavam visivelmente irritados, mas o ruído que vinha das bancadas do PSD e do CDS tornou inaudíveis os protestos do PCP.

E o que dizia o texto apresentado por PSD e CDS? “A Assembleia da República exprime o seu pesar pela morte de manifestantes na Venezuela e apela a uma resolução pacífica que salvaguarde a segurança da grande comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela, que respeite e reconheça o mandato democrático da Assembleia Nacional e do seu Presidente, Juan Guaidó, e que reponha a normalidade democrática através da realização de eleições livres na Venezuela”. Esta era a argumentação base do voto.

O PS também votou a favor e o texto acabou por ser aprovado. Como que em resposta, minutos depois, votou-se um texto do PCP que pretendia condenar “a nova operação golpista e da campanha de desestabilização e de agressão contra a Venezuela que atinge o seu povo e a comunidade portuguesa neste país”.

Neste caso, o PCP e o PEV foram os únicos a votar a favor. O Bloco de Esquerda absteve-se e as restantes bancadas votaram contra, provocando o chumbo deste voto. Nesse momento, surgiu uma nova onda de indignação que terminou com a direita a aplaudir o anúncio do chumbo do diploma.