Rádio Observador

Mediterrâneo

ONG acusam UE de cumplicidade nas mortes de migrantes no Mediterrâneo

Organizações como Oxfam, Human Rights Watch ou Médicos Sem Fronteiras recordam que desde janeiro de 2018 "pelo menos" 2.500 pessoas morreram no Mediterrâneo e "os líderes da UE foram cúmplices".

Em comunicado, a Oxfam disse que, desde a assinatura do documento "apoiado pela UE," mais de 5.300 homens, mulheres e crianças morreram no Mediterrâneo

ALBA FEIXAS/EPA

Cinquenta organizações não-governamentais (ONG) e plataformas acusaram esta sexta-feira os governos da UE de cumplicidade nas mortes de migrantes no Mediterrâneo, dois anos após a assinatura do acordo entre Itália e Líbia para lidar com o fluxo migratório.

Numa carta enviada aos ministros da Justiça e do Interior da União Europeia (UE), assim como ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk, organizações como Oxfam, Human Rights Watch ou Médicos Sem Fronteiras recordam que desde janeiro de 2018 “pelo menos” 2.500 pessoas morreram no Mediterrâneo.

“Entretanto, os líderes da UE foram cúmplices da tragédia que se desenrola diante de seus olhos”, refere a carta.

O documento acrescenta que os Governos europeus estão a colocar “sob pressão” organizações da sociedade civil que realizam resgates no Mediterrâneo e afirmam que “em vez de apoiarem essas atividades num esforço para salvar vidas, uma série de Estados-membros da UE dificultam mais as operações”.

A carta sublinha que as ONG também criticam as acusações “infundadas” contra as organizações da sociedade civil e os obstáculos encontrados nos últimos meses quando aquelas tentam desembarcar migrantes resgatados no mar em portos europeus.

“Enquanto no ano passado, por esta altura, cinco destas organizações estiveram a realizar operações de busca e salvamento no Mediterrâneo, apenas uma é capaz de fazer isso hoje”, indica a carta, também dirigida à comissária dos Negócios Estrangeiros da UE, Federica Mogherini.

O documento acrescenta que aqueles que são forçados a retornar à Líbia, cerca de 15.000 pessoas em 2018 segundo a ONU, é provável que acabem por sofrer detenções arbitrárias, por ser submetidos a abusos e tortura ou vendidos como escravos.

Assim, os signatários da carta pedem aos ministros da Justiça e do Interior da UE que se comprometam na sua próxima reunião a permitir que os navios tenham acesso aos seus portos para desembarcar as pessoas resgatadas.

Também pedem o fim das devoluções de pessoas para a Líbia, um país “devastado pela guerra”, onde os refugiados e migrantes “são detidos em condições desumanas que violam os seus direitos humanos básicos”.

“As mulheres, crianças e homens devolvidos à Líbia pela Guarda Costeira líbia, apoiados pela UE ou sob ordens de centros de resgate e coordenação marítima, enfrentam a detenção automática e arbitrária e correm um risco real de tortura e outras violações graves direitos humanos”, enfatizam.

No dia 2 de fevereiro de 2017, o então primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, e o chefe do Conselho Presidencial da Líbia, Mohamad Fayed al-Sarraj, assinaram em Roma um acordo comprometendo-se a cooperar para conter o fluxo migratório entre os dois países.

Em comunicado, a Oxfam disse esta sexta-feira que, desde a assinatura do documento “apoiado pela UE,” mais de 5.300 homens, mulheres e crianças morreram no Mediterrâneo.

“Os países da UE estão a transformar o Mediterrâneo num cemitério aquático como uma questão de política deliberada”, disse o assessor sobre a política migratória da UE da Oxfam, Raphael Shilhav.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Imigração

Um desafio exaltante

Guilherme Valente

O grande desafio do nosso tempo é organizar uma política da emigração justa, viável, bem-recebida, aceitável pelos europeus. A Europa não conseguirá ser de facto o refúgio e o emprego do mundo.

Cooperação económica

De braço dado com Angola

José Manuel Silva

O momento político angolano é propício à criação de laços baseados na reciprocidade e na igualdade de tratamento, sem complexos de nenhuma espécie. A história foi o que foi, o presente está em curso.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)