A Volkswagen anunciou que não quer apenas produzir veículos eléctricos que não poluam nas zonas em que circulam, realçando que faz questão que todo o seu ciclo de vida, da fabricação do veículo e da bateria à sua utilização, seja neutro em carbono. Um objectivo difícil de atingir, que obriga a um grande investimento e ao recurso a energia originária de fontes renováveis na fase da produção.

Os automóveis eléctricos vão ser o futuro, goste-se ou não da ideia. Acontece que, apesar de eléctricos, os veículos do futuro – a muito curto prazo – não têm necessariamente de ser alimentados por bateria, pois há outras soluções para fornecer energia aos seus motores, a começar pela produção on board de electricidade, nomeadamente através de células de combustível a hidrogénio. Contudo, esta tecnologia ainda tem bastante para evoluir, pois até ao final de 2017 só se venderam 6.475 veículos a fuel cell em todo o mundo, metade dos quais na Califórnia e menos de 10% na Europa, onde há uma rede diminuta de fornecimento de hidrogénio.

Construtores que ainda não têm veículos eléctricos ou que estão atrasados na sua concepção e produção, como a Honda, Mazda e Toyota, afirmam que os veículos eléctricos podem ser mais poluentes, ou ricos em emissões de CO2, do que os automóveis a gasolina, o que é um disparate. Ou, então, apenas uma realidade nos países que produzam toda a sua energia eléctrica em centrais a carvão. Contudo, um país que assim proceda vai enfrentar uma poluição vai tão elevada que os eléctricos serão o seu menor problema.

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A Volkswagen está apostada em fazer funcionar a suas instalações de Zwickau, onde vai produzir a sua gama de modelos I.D. (além de modelos para a Audi, como Q4 e-tron), exclusivamente com energia renovável, o que corresponderá a uma redução de 1 milhão de toneladas de CO2, o equivalente ao que geraria uma central eléctrica necessária para fornecer uma povoação com 300.000 habitantes, alimentada a carvão. E, para completar o ciclo, o construtor alemão criou ainda a Elli, especializada na produção de energia eléctrica “verde”, para assegurar que até a electricidade disponível nos postos de carga tem origem em fontes renováveis.

Com 100% de energia “verde” na cadeia de fornecedores, na produção e obviamente na utilização e reciclagem, a marca alemã garante que os seus I.D. (a começar já pelo Neo, a apresentar no final de 2019) serão neutros em CO2, fruto de um investimento de 9 mil milhões de euros até 2023 e que passa pela introdução no mercado de 20 novos modelos eléctricos até 2025.

De caminho, o fabricante recorda que os transportes são apenas responsáveis pelas emissões de 14% de CO2, com a indústria a gerar 21%, a agricultura 24% e a produção de electricidade 25%. O que significa que, se os fabricantes estão a realizar um esforço hercúleo para reduzir as emissões de CO2, aos Estados deveria caber um esforço similar para gerar electricidade de forma menos poluente.