Pouco antes da entrevista à SIC esta segunda-feira, o primeiro-ministro António Costa tinha estado a conversar por telefone com outros homólogos europeus: o socialista espanhol Pedro Sanchez, os liberais Mark Rutte (Holanda) e Charles Michel (Bélgica). Razão? “Estamos a preparar a primeira reunião do Conselho [da Europa]”, “o futuro das instituições [europeias] e o plano para os próximos cinco anos”, disse Costa.

António Costa está no meio de contactos de alto nível para influenciar a escolha do próximo presidente da Comissão Europeia. O caso não é para menos, visto que, enquanto o Partido Socialista Europeu perdia 39 assentos no Parlamento Europeu, Costa ganhava de forma clara (diferença de mais de 10 pontos face ao PSD) em Portugal. Melhor: o PS tornou-se o quinto partido do Grupo Socialistas & Democratas com mais deputados.

Além disso, o líder de governo referiu: “Como é sabido com o resultado das eleições ontem, nenhuma família política conseguiu a maioria. É necessário fazer um trabalho de concertação de posições”.

A grande alteração que houve foi que até agora o Partido Popular Europeu (PPE) fazia maioria com qualquer outras das grandes forças. Agora, deixou de o fazer. Implica uma triangulação para acordos mais alargados. no quadro do parlamento os verdes vão ter uma maior posição. No conselho não vão ter porque não estão”, disse António Costa.

Ficou assim aberta a porta para o que está em cima da mesa: uma geringonça europeia. Manfred Weber, candidato do Partido Popular Europeu (PPE), para a Comissão Europeia “não tem condições”, disse Costa. Já o candidato que o primeiro-ministro apoia, Frans Timmermans, “tem várias qualidades, tem defendido os valores europeus e, sendo socialista, tem boas relações com todas as famílias políticas”. Este “novo quadro possibilita novas soluções”, disse ainda Costa que afirma que “não se trata de uma revolução”.

Temos que fazer seguramente mais, o projeto europeu significa o reforço da cidadania europeia. A pessoas têm de se sentir envolvidas na União Europeia”.

Quanto aos resultados eleitorais, afirmou sem rodeios em relação à CDU ter conseguido um segundo eleito: “Naturalmente o PS preferia ter ganhado o 10º deputado do que ter ficado com o 9º”.

Falando da Geringonça, o secretário-geral do PS afirmou “que esta solução política tem tido estabilidade” e que “os quatro partidos têm uma relação de complementaridade”.

Quanto ao PAN, Costa refere que o PS tem “tido uma excelente relação” com o partido e que este “nunca votou contra nenhum dos orçamentos de estado desta legislatura”.

A causa de sucesso desta solução governativa é que ninguém teve de engolir sapos. Acho que isto é uma qualidade importante. No BE ou no PC não se teve de fazer cambalhotas nem o PS se descaracterizou”, disse o primeiro-ministro.

“Aquilo em que conseguimos convergir tem sido suficiente para uma muito boa amizade, mas insuficiente para podermos ter um casamento”, disse António Costa quanto à relação com os atuais partidos que lhe permite ser primeiro-ministro. “Não antevejo que qualquer dos partido esteja disponível para se descaracterizar”, referiu também.

O que diz o PAN quanto a uma geringonça com apoio das Pessoas, Animais e Natureza?

Esta segunda-feira André Silva, único deputado da PAN na Assembleia da República e líder do partido, falou também à SIC, cerca de 40 minutos antes de António Costa. Como analisou o Expresso, se os resultados deste domingo fossem os das eleições legislativas, o PAN teria seis deputados. Assim, o partido que André Silva lidera pode ser crucial para o PS conseguir uma maioria na Assembleia. Contudo, para já, o deputado afirma: “O PAN não está preparado para uma ocupação de lugares de governo”.

O PAN não está disponível para estar décadas e décadas no Parlamento para fazer o papel de partido da oposição como muitas vezes vimos. Nós devemos ser construtivos mesmo que não contemos para a matemática parlamentar. Um partido político serve para estar a ocupar posição de poder ou estar a influenciar o poder. Esse é o papel do PAN neste momento, é isso que queremos continuar a fazer, com mais força e mais pressão.

Mesmo assim, André Silva pede “mais responsabilidades às pessoas”. Para o deputado, “há legitimas expetativas do PAN eleger um grupo parlamentar”. Agora, o partido que, como disse o político, elegeu “expetavelmente um deputado”, para já, não vê um “casamento”, como disse António Costa mas, muito possivelmente, a continuação de “uma amizade”.