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Literatura Infantil

Das cavernas ao smartphone, a história da imagem explicada às crianças por David Hockney

O novo livro "História da Imagem Para Crianças" faz uma viagem pela arte de forma acessível, através de um conversa descontraída entre o artista britânico David Hockney e o crítico Martin Gayford.

David Hockney começa por se deitar no divã para pensar porque é que fazemos imagens.

© Rose Blake (ilustração retirada do livro "História da Imagem para Crianças")

Como escreve David Hockney, “as imagens estão em todo o lado”. Penduradas nas paredes, transportadas nos telemóveis, exibidas nas ruas, guardadas dentro de livros. “É através das palavras e das imagens que pensamos, sonhamos e tentamos compreender o mundo à nossa volta”, continua o artista que pintou um dos mergulhos mais famosos da pintura e que co-assina o novo livro História da Imagem para Crianças.

O livro foi publicado em Portugal pela Edicare e custa 19,50€.

Como diz o título, trata-se de um volume que tenta explicar o que são as imagens e a arte de forma acessível, abrindo dessa forma os olhos dos mais pequenos — a partir dos oito anos — a um mundo cada vez mais visual. O próprio formato ajuda a descomplicar o tema, normalmente sério e hermético: em vez de uma história da arte tradicional, organizada cronologicamente, o livro está organizado por temas e escrito em registo de conversa informal, entre o artista britânico David Hockney e o escritor e crítico de arte Martin Gayford (dupla que há três anos já tinha assinado A History of Pictures para um público dito convencional e que neste novo diálogo é identificada apenas pelo nome próprio). Tudo isto ilustrado pela londrina Rose Blake, que se desenhou a si própria com 11 anos (quando conheceu Hockney e se tornou “uma das suas maiores fãs”) e que consegue duas proezas aparentemente impossíveis: reproduzir alguns dos exemplos citados por Martin e David com o seu traço bem humorado, e fazer as suas próprias ilustrações originais conviver com fotografias reais de obras mais ou menos famosas (e sempre acompanhadas pelos dois cães salsicha de Hockney).

Da luz à sombra, da pintura à fotografia, passando pelas imagens em movimento e as novas tecnologias que vierem acelerar a transformação deste universo, os capítulos abordam temas fundamentais para pensar as imagens, levantando perguntas pertinentes — “o que torna um traço interessante?” ou “como é que os artistas usam a luz?” –, partilhando episódios engraçados e fazendo ainda ligações inesperadas entre obras (alguém tinha reparado como a cena da perseguição da baleia no filme Pinóquio se assemelha a arte japonesa ou como a iluminação da célebre Mona Lisa tem ecos nos retratos a preto e branco das atrizes da época dourada de Hollywood?).

Van Gogh é um dos artistas citados e um dos que teve influências da arte japonesa. © Rose Blake (ilustração retirada do livro “História da Imagem para Crianças”)

“A história da imagem começa nas cavernas e termina, neste momento, num tablet”, diz às tantas David Hockney, deixando no ar a pergunta: “Quem sabe onde irá a seguir?”. Na questão dos formatos e ferramentas, o pintor fez um percurso semelhante ao da própria história da arte e, embora tenha saltado toda a parte das pinturas rupestres para pegar diretamente numa tela e num pincel em meados do século passado, hoje em dia tem-se dedicado a desenhos feitos no computador, no iPhone e no iPad.

Publicado originalmente no Reino Unido pela editora Thames & Hudson, História da Imagem Para Crianças foi premiado na última Feira do Livro Infantil de Bolonha com um Bologna Ragazzi Award 2019, na categoria New Horizons. Na altura, o júri elogiou a forma como o livro consegue despertar as crianças para a cultura visual, a originalidade do formato em diálogo e o facto de desmontar mitos e preconceitos do mundo da arte, “acompanhando o leitor enquanto descobre a essência da criação artística”. Resumindo, “um presente para todas as idades”, com direito a um conselho para nos deixar a pensar no final: num mundo cada vez mais inundado de imagens, David nota: “Quanto mais fotografias tirares, menos tempo passarás a olhar para cada uma delas.”

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