É mais um caso de sucesso gastronómico português além fronteiras: o chef Nuno Mendes acaba de conquistar uma estrela Michelin no seu restaurante londrino Mãos.  A cerimónia decorreu esta segunda-feira, em Londres, e voltou a colocar o trabalho deste cozinheiro português e sua equipa no prestigiado guia gastronómico, isto porque ele já tinha tido uma dessas distinções (ganhou-a em 2011) num dos seus projetos anteriores, o Viajante, também ele na capital britânica.

O homem que se divide entre vários projetos — a este Mãos junta-se o famoso Chiltern Firehouse e o projeto social Fuel For Learning, ambos no Reino Unido, e há ainda o seu papel enquanto mentor gastronómico do Bairro Alto Hotel, em Lisboa — vive em Londres há mais de uma década e por lá já teve vários projetos gastronómicos, como o Bacchus, o The Loft, o tal Viajante ou até a Taberna do Mercado, por exemplo.

O Mãos fica na zona de Shoreditch e consiste numa experiência exclusiva onde só são servidas no máximo 16 pessoas por noite, sempre numa mesa partilhada que mora numa espécie de apartamento privado que os clientes são convidados a explorar — ainda este ano, o Observador foi a Londres conhecer o projeto.

A cerimónia, que se realizou no Hurlingham Club, nos arredores de Fulham, viu serem entregues, no total, 23 primeiras estrelas. Surgiram quatro novos espaços com duas estrelas e apenas um com as tão almejadas três, o Lecture Room & Library, em Londres, que é supervisionado pelo mítico Pierre Gagnaire e gerido diariamente por Johannes Nuding. A grande surpresa da noite foi o restaurante Aimsir, que fica em Kildare, Irlanda, e ganhou diretamente duas estrelas Michelin.

Nuno Mendes tem estado por Lisboa a acompanhar a iminente abertura dos projetos gastronómicos do Bairro Alto Hotel, unidade hoteleira que o escolheu como Creative Food & Beverage Director, e vai cozinhar no comboio The Presidential, no Douro, nos próximos dias 11 e 12 de outubro (na companhia do seu braço direito em Lisboa, o chef Bruno Rocha). Com esta vitória junta-se assim a Miguel Rocha Vieira, outro cozinheiro português com presença num destes “guias vermelhos” que não o referente a Portugal e Espanha — Vieira tem duas estrelas na Hungria, uma no restaurante Costes e outra no Costes Downtown.

Ainda dentro da lusofonia destaque também para o chef brasileiro Rafael Cagali, do restaurante Da Terra, em Londres, que também conquistou uma estrela Michelin, a sua primeira.