É o terceiro incidente do género a acontecer nas últimas semanas num centro de refugiados na Europa. Da noite de domingo para segunda-feira, Malta viu arder partes de Hal Far – um dos seus principais centros de receção de refugiados, como resultado de um motim organizado por um grupo de migrantes. Pelo menos 107 pessoas acabaram detidas, de acordo com o Malta Today e três agentes da polícia ficaram feridos.

Entre chamas em carros e partes de edifícios, os migrantes conseguiram tomar o controlo de parte de Hal Far. Enquanto exigiam ser libertados do centro, chegaram a atirar objetos contra a polícia e deixaram cinco veículos queimados.

Em comunicado, o Ministério maltês da Administração Interna esclareceu que o protesto envolveu cerca de 300 pessoas, tendo começado depois de um migrante ter tentado entrar alcoolizado no edifício, “contra as regras do centro”. A partir daí, os tumultos ganharam novos contornos, com a população a protestar contra a sua detenção no centro.

A situação acalmou na manhã de segunda-feira, com a intervenção da polícia de choque. Entre os detidos está um jovem de 14 anos, o mais novo de 68 migrantes que foram efetivamente acusados por desobediência. Outros dois, de 17 e 20 anos, compareceram a tribunal por terem ameaçado dois agentes da polícia.

Os centros de receção em Malta estão sob pressão, com o aumento das chegadas durante o verão e com os refugiados que chegaram através do mecanismo europeu de distribuição de migrantes. Contudo, não é caso único. No final de setembro, um incêndio trágico no campo de refugiados de Moria, na Grécia, deixou pelo menos duas vítimas mortais e 15 feridos. As chamas propagaram-se em dois pontos diferentes, por razões desconhecidas, num campo que acusa grave sobrelotação. Moria foi concebido para acolher três mil migrantes, mas abriga cerca de 13 mil.

Duas semanas depois, na noite de 14 de outubro, um outro incêndio deixou cerca de 600 pessoas sem lugar para dormir, no campo de Samos, na Grécia. Segundo uma publicação local, o fogo terá começado com um desentendimento entre afegãos e sírios, num espaço também sob pressão. Samos tem capacidade para cerca de 700 pessoas, mas acolhe perto de quatro mil.