Itália é o país com maior número de mortos registados desde o início do surto de coronavírus, tendo ultrapassado a China. O país europeu registou esta quinta-feira um total de 3.405 mortes (427 só nas últimas 24 horas), enquanto que o país asiático, onde o surto começou, totaliza 3.245 (8 novos óbitos).

Há mais diferenças entre o país que foi o epicentro da pandemia e Itália — que é agora o principal foco da infeção. Na China registaram-se 34 novos casos de infeção nas últimas 24 horas, todos importados. Para além de parecer ter conseguido acabar com as cadeias de transmissão interna, no país asiático a esmagadora maioria das pessoas infetadas (um acumulado de 80.928) já estão curadas (70.420).

O mais recente balanço das autoridades de saúde dá conta de 7.263 casos ativos.

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Ou seja, a China apenas lidera no número acumulado de infetados e no número acumulado de recuperados.

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Na quarta, 18 de março, a Europa já tinha ultrapassado a China no número de infetados, depois de ter passado a barreira dos 90 mil casos. Se, nesse dia, a China registou 45 novos casos, a Europa contou mais de 13.700 novos casos, cerca de 77% do total de novos infetados no mundo.

Em Itália, o cenário é bastante pior. Esta quinta-feira, para além de se tornar o país com maior número de mortos, foi a nação que contou com maior número de novos casos, de novas mortes, de casos ativos e de doentes em situação crítica. De um acumulado de 41.035 pacientes, 33.190 continuam infetados com o SARS-CoV-2, o vírus que provoca a doença Covid-19.

Outro dado preocupante é o número de doentes em estado crítico: são já 2.498 quando a China, o segundo país com mais doentes a inspirar cuidados, está nos 2.274.

Olhando para a população de cada um dos países, também a realidade é muito diferente. Apesar dos mais de 80 mil infetados, a China tem 53 infetados por cada milhão de habitantes. Itália, com cerca de 41 mil, tem 679 por milhão de habitantes.

China

  • Número total de infetados: 80.928
  • Número de recuperados: 70.420
  • Mortes: 3.245
  • Casos ativos: 7.263
  • Em estado crítico: 2.274

Itália

  • Número total de infetados: 41.035
  • Número de recuperados: 4.440
  • Mortes: 3.405
  • Casos ativos: 33.190
  • Em estado crítico: 2.498

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Medidas mantém-se para lá de 3 de abril

Mesmo com a quarentena determinada pelo governo, Itália não está a conseguir diminuir o número de infetados, o que levou o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, a dizer que a quarentena é para manter. As medidas de restrição irão continuar para lá de 3 de abril, data em que deveriam ser revistas, explicou numa entrevista ao jornal Corriere della Sera.

“As medidas restritivas estão a funcionar, mas é óbvio que quando atingirmos um pico e o contágio começar a diminuir — pelo menos em percentagem, o que se espera que aconteça em poucos dias —, não poderemos voltar imediatamente à vida de antes”, argumentou. “É claro que as medidas que tomámos, tanto as que fecharam grande parte das atividades empresariais do país, como a que encerraram escolas, terão de ser prorrogadas.”

Conte disse ainda ao jornal que o executivo está a trabalhar num novo pacote de ajuda económica que deverá ser apresentado no espaço de duas semanas.