Os serviços de inteligência dos EUA alertaram logo no final de novembro para o facto de um novo coronavírus estar a espalhar-se na região chinesa de Wuhan, avisando também que o vírus estaria a mudar o quotidiano da população e que constituía um risco para a saúde pública. De acordo com a ABC News, a agência de inteligência de Defesa, o Estado-Maior do Pentágono e a Casa Branca foram informados “várias vezes” sobre o conteúdo de um relatório elaborado pelo Centro Nacional de Inteligência Médica (NCMI) que expunha a situação. O relatório concluía que a situação poderia ser “catastrófica”. Já após a notícia da ABC News, o Pentágono negou tudo esta quarta-feira à noite (quinta-feira de madrugada em Portugal).

De acordo com a ABC News, houve vários briefings em dezembro com várias entidades do governo norte-americano, incluindo com o Conselho de Segurança Nacional, que culminou com uma descrição detalhada do relatório no briefing diário com o Presidente dos EUA no início de janeiro. O relatório incluía conversas intercetadas e fotografias tiradas por satélite.

O Pentágono não quis comentar o assunto na terça-feira, mas após a ABC noticiar este documento, o coronel R. Shane Day, diretor da NCMI, desmentiu a existência do relatório num comunicado: “Por questão prática, o NCMI não comenta publicamente questões relacionadas com inteligência militar. No entanto, em nome da transparência durante a atual crise de saúde pública, podemos confirmar que a notícia que relata a existência de um relatório elaborado e divulgado em novembro de 2019 pelo NCMI não está correta. Não existe esse relatório do NCMI “.

Como lembra a CNN, o Governo de Trump tem sido acusado de ter reagido lentamente à crise do novo coronavírus e este relatório será mais uma prova que a Administração Trump já tinha sido alertada para os perigos do vírus muito antes de o primeiro caso ser confirmado nos EUA, no final de janeiro.

No último domingo, em entrevista ao programa This Week, também da ABC News, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, tinha dito que não se lembrava de o Pentágono ter recebido da NCMI qualquer informação sobre o novo coronavírus em novembro. Donald Trump, recorda a CNN, elogiou várias vezes os esforços da sua administração para retardar a propagação do coronavírus nos EUA, lembrando que logo a 31 de janeiro restringiu as viagens oriundas da China.

O presidente dos EUA afirmou a 19 de março que “ninguém sabia que haveria uma pandemia ou uma epidemia com estas proporções“. O  The Washington Post já tinha, no entanto, noticiado que Trump e o Congresso tinham ignorado relatórios de agências de inteligência dos EUA que desde janeiro tinham alertado para a dimensão e proporções do surto na China. A CNN também tinha informado que o consultor comercial de Trump, Peter Navarro, tinha alertado num memorando interno do final de janeiro que o coronavírus podia tornar-se numa “pandemia” global que punha em risco a saúde de milhões de pessoas e que podia causar a perda de milhares de milhões de dólares para a economia.

Artigo atualizado às 14h08 de quinta-feira, 9 de abril, com a informação que o Pentágono desmentiu oficialmente a notícia publicada pela ABC News. A televisão norte-americana reiterou, no entanto, a confiança nas fontes que passaram a informação