O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou esta quinta-feira a “violação” das soberanias grega e cipriota pela Turquia no Mediterrâneo oriental e defendeu uma reunião dos países do sul da Europa sobre a segurança na região, incluindo a questão líbia.

“De uma forma mais abrangente, a Europa deve iniciar uma reflexão aprofundada sobre as questões da segurança no Mediterrâneo, disse Macron que propôs a organização de uma cimeira que reúna o grupo de países do sul da União Europeia.

O grupo “Med 7”, formado em 2016, é constituído pela França, Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Malta e Chipre, e por proposta de Macron deve reunir-se “no final do mês de agosto ou no princípio de setembro”. As preocupações de Macron referem-se à presença de navios de guerra turcos no Mediterrâneo Oriental e às interferências de Ancara e Moscovo na guerra da Líbia.

Macron reuniu-se esta quinta-feira em Paris com o homólogo cipriota, Nicos Anastasiades. “Venho mais uma vez reforçar a solidariedade da França para com o Chipre mas também com a Grécia, face às violações das soberanias pela Turquia. Não é aceitável que o espaço marítimo de um Estado membro da nossa união seja violado ou ameaçado. Os que contribuem para isto devem ser sancionados”, disse Macron.

A Marinha de Guerra da Grécia foi colocada em estado de alerta na quarta-feira depois de a Turquia ter enviado navios militares para uma zona próxima das ilhas gregas de Kastellorizo escoltando um navio turco de exploração gás submarino.  Atenas já pediu a Ancara para “cessar de forma imediata as ações ilegais” que “violam a soberania grega e ameaçam a paz e a segurança na região”.

O Mediterrâneo oriental, por questões energéticas e de segurança “está em jogo por lutas de poder, em particular pela Turquia e pela Rússia, que se afirmam cada vez mais face à União Europeia”, disse o chefe de Estado francês. “Há um vazio por parte da Europa no Mediterrâneo oriental”, considerou Nicos Anastasiades acrescentando que as iniciativas do presidente da França “são uma esperança” para que a zona não seja controlada pela Turquia “nem por outro qualquer país”.

A tensão tem vindo a multiplicar-se na zona marítima onde vários potências como a Turquia, o Egito, Israel e a Grécia se mostram concorrentes em relação aos recursos energéticos. A degradação da crise Líbia, onde a Turquia e a Rússia mantêm uma posição de força, são outro dos fatores de tensão.

No que diz respeito à Líbia “nós também não podemos deixar que potências estrangeiras, sejam quais forem, violem o embargo sobre o fornecimento e venda de armamento”, acrescentou Macron.  Paris admite sanções “para obter um cessar-fogo” no sentido “da resolução política do conflito líbio”. A França tem denunciado recentemente as ingerências turcas na crise líbia tendo-se verificado um agravar das tensões entre os dois países após um incidente marítimo com dois navios de guerra.