Durante o período do confinamento, verificou-se uma redução de cerca de 30% do ruído em Portugal, de acordo com dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) citados pelo Expresso.

O IPMA analisa o ruído através das estações sísmicas, cujas medições são habitualmente “contaminadas” pelo ruído humano, nas palavras do sismólogo Fernando Carrilho àquele jornal.

Segundo o especialista, o confinamento, que levou à redução da atividade humana (sobretudo da mobilidade), fez com que o ruído habitual sofresse uma grande redução.

Um estudo do IPMA feito com base nos dados das estações sísmicas das zonas urbanas concluiu que essas estações sofreram em abril deste ano uma perturbação pelo ruído humano 30% inferior aos níveis anteriores.

A redução do ruído captado pelas estações sísmicas em Portugal enquadra-se no maior “silêncio” sísmico registado a nível mundial desde que existem este tipo de registos.

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Um estudo publicado recentemente na revista Science dá conta de uma redução de 50% no ruído sísmico a nível global — “a mais longa e proeminente redução global do ruído sísmico antropogénico”.

A redução do ruído antropogénico dá aos cientistas uma oportunidade única para “escutar” com mais atenção os movimentos sísmicos mais subtis da Terra. É, aliás, por isso que grande parte das estações sísmicas estão o mais afastadas possível dos centros urbanos (e que foi nas mais próximas das cidades que a redução foi mais evidente).

“Uma correlação forte entre o ruído sísmico e medições independentes da mobilidade humana sugere que a sismologia fornece uma estimativa absoluta e em tempo real das dinâmicas populacionais”, dizem os autores do estudo.