Desde julho deste ano, grupos de orcas têm abalroado navios nas costas portuguesa e espanhola. O primeiro ataque relatado este verão deu-se em Gibraltar, em julho. Um grupo de pessoas afirmam que a sua embarcação foi cercada por nove dos mamíferos, que danificaram o leme e o motor. Desde então, os ataques repetiram-se. Em Gibraltar foram outros cinco, na Galiza foram 16 e na costa portuguesa cinco.

No domingo registou-se o quinto abalroamento de um veleiro no Cabo de Sines, onde estavam a bordo os dois homens de 70 anos. Foram resgatados pelas autoridades e não apresentavam ferimentos, adianta a Lusa.

Elas aproximam-se pela parte de trás do barco. As abordagens das orcas não costumam ser prolongadas e são quase sempre direcionadas ao leme, reagindo a cada movimento da sua mudança. O encontro só termina quando o veleiro deixa de se mover e fica à deriva.

Este comportamento das orcas é considerado “inédito” pelos cientistas, especialmente quando se verificam danos nas embarcações, uma vez que costumam ser animais inteligentes e sociáveis, mas não agressivos, segundo a RTP. A abordagem às embarcações pode ter origem numa brincadeira despertada pela sua curiosidade ou uma demonstração de domínio. Em agosto, foram detetadas várias lesões em orcas juvenis que poderão ter resultado de um desses contactos com veleiros.

Os estranhos encontros entre orcas e veleiros despertaram a atenção de cientistas portugueses e espanhóis, que se juntaram para estudar o fenómeno. Embora ainda sem provas conclusivas, os investigadores indicam que os incidentes se podem explicar por algum distúrbio que a velocidade das embarcações tenha provocado nas orcas, indica o The Guardian.

A orcas que passam pela nossa costa estão em migração do norte de Espanha para o estreito de Gibraltar. Seguem as rotas do atum, alimento de que tanto gostam, que passa pelo Mediterrâneo no verão e pelo Oceano Atlântico no inverno.