Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Publicado no Wall Street Journal, um artigo de opinião da autoria de Joseph Epstein está debaixo de fogo depois de chamar “criança” a Jill Biden, mulher do democrata eleito Presidente dos Estados Unidos.

Na peça, o ex-professor adjunto da Universidade de Northwestern começa por, ironicamente, se referir a Jill Biden como “Madame primeira dama — Senhora Biden — Jill — criancinha”, oferecendo-se para lhe dar um conselho numa matéria que “pode não parecer importante”.

Joseph Epstein continua, criticando-a por se apropriar do título de “Dra”, algo que considera “fraudulento, para não dizer cómico”. O ex-professor argumenta que Biden é doutorada em educação pela Universidade de Delaware, pelo que o título, considera ele, deveria ser “Ed.D”. “Um homem sábio disse uma vez que ninguém se deve auto-intitular de ‘Dr.’ a não ser que tenha feito um parto de uma criança. Pense nisso, Dr. Jill, e deixe o doutora prontamente”, acrescentou.

Em resposta, Jill Biden tweetou no domingo:  “Juntos vamos construir um mundo onde as conquistas das nossas filhas vão ser celebradas, em vez de desprezadas”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Também no Twitter, a assessora de Biden denunciou o artigo como “sexista e vergonhoso” e o porta-voz dos norte-americanos, Michael LaRosa, exigiu uma desculpa por parte do jornal, alegando que o jornal deveria ter vergonha pelo “ataque sexista”.

O Wall Street Journal também já se pronunciou sobre o assunto, mas defende os comentários de Epstein, afirmando que o artigo fala sobre uma questão relativamente pouco importante. O editor Paul A. Gigot acusa a equipa de comunicação de Biden de uma reação exagerada, politizando o assunto.

Ainda assim, o artigo gerou polémica junto de algumas personalidades, que se manifestaram no Twitter. A antiga primeira dama, Hillary Clinton escreveu “O nome dela é Dra. Jill Biden. Habituem-se”.

Também a filha de Martin Luther King, Bernice King, usou a rede social para sair em defesa de Jill Biden, tweetando “Querida @DrBiden: O meu pai foi um doutor não médico. E o trabalho dele beneficiou imenso a humanidade. O seu também o faz”. Mais tarde acrescentou ainda “ambos doutores médicos e não médicos, cujo trabalho beneficia a humanidade = uma comparação de experiências, contribuições, liderança e influência. Por favor não inventem razões para estarem frustrados. Há razões legitimas suficientes”.

Por sua vez, Douglas Emhoff, marido da vice-presidente eleita Kamala Harris, enalteceu o trabalho da futura primeira dama, escrevendo “A Dra. Biden ganhou os seus diplomas através de trabalho árduo e pura coragem. Ela é uma inspiração para mim, para os estudantes dela e para os americanos de todo o país. Esta história nunca teria sido escrita sobre um homem”.

O Departamento de Inglês da instituição onde Joseph Epstein deu aulas publicou um comunicado, partilhado por um jornalista da NBC também no Twitter, onde discorda da posição tomada pelo ex-professor. “O Departamento está ciente que um antigo palestrante que já não ensina aqui há quase 20 anos publicou um artigo de opinião que lança aversão injusta ao direito público da Dra. Jilll Biden de reclamar a sua perícia e credenciais de doutora. O Departamento rejeita esta opinião bem como a diminuição de qualquer diploma devidamente conquistado em qualquer campo, de qualquer universidade”.

A Universidade de Northwestern também se manifestou contra a opinião do professor escrevendo “enquanto apoiamos veemente a liberdade académica e liberdade de expressão, não concordamos com a opinião do senhor Epstein e acreditamos que a designação de doutor é merecida por qualquer pessoa que tenha um doutoramento. A Northwestern está firmemente comprometida à igualdade, diversidade e inclusão e discorda fortemente da visão misógina do senhor Epstein”.