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No dia em que apresentou o acordo da grande coligação que vai enfrentar Fernando Medina nas próximas eleições autárquicas, Carlos Moedas teceu duras críticas ao adversário acusando o socialista de não ter “visão” para a cidade e de ser apenas e só um somatório de promessas por cumprir. “As promessas não valem nada na boca de Fernando Medina”, denunciou o antigo comissário europeu.

Dizendo estar muito curioso para conhecer o novo programa eleitoral de Medina, Moedas sugeriu, com ironia, querer saber se o atual autarca “vai prometer os mesmos 14 centros de saúde” que prometeu em 2017, ou os mesmos 6 mil fogos de renda acessível “que nunca fez”, ou as mesmas “600 camas de cuidados continuados” que nunca disponibilizou ou ainda os mesmos “4320 lugares em parques dissuasores” que ia construir e não construiu. “Fernando Medina nunca o cumpriu o programa eleitoral“, criticou Moedas.

O social-democrata acusou ainda o socialista de ter como único objetivo político agradar a António Costa. “Fernando Medina não tem visão para a cidade. Tem uma visão para parecer bem aos seus amigos, para agradar sobretudo ao Governo. É essa agenda de Medina: agradar ao Governo. Essa não será a nossa visão. Queremos uma cidade do futuro, que olhe para a Tecnologia e para a Cultura, mas que não esteja no futuro”, prometeu.

Moedas disse estar empenhado em protagonizar uma “mudança radical” em Lisboa, rompendo “14 anos de um PS que depende de uma extrema-esquerda”, que “odeia” os que pensam diferente, um “esquerdismo de superioridade moral, um esquerdismo que acaba sempre cair na hipocrisia”.

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Rio: “Governo vai levar Fernando Medina ao colo”

Antes de Moedas, falaram todos os líderes dos partidos que aceitaram fazer parte da coligação não socialista — Iniciativa Liberal pôs-se de fora, o Chega não foi convidado. Em dia de aniversário do PSD, Rui Rio tomou da palavra para elogiar a “competência, seriedade e coragem” de Carlos Moedas e a para dizer que o social-democrata “tem todas as condições para ganhar esta eleição”.

Reconhecendo que a tarefa não é fácil (“quanto mais difícil maior e mais saborosa é a vitória quando ela acontece”), Rio tentou retirar alguma pressão a Moedas. “Nós queremos ganhar, mas não podemos exigir aos candidatos que ganhem.

“Todos queremos ganhar, mas o primeiro passo que temos de dar é oferecer aos lisboetas uma alternativa”, sublinhou o presidente do PSD, até porque, defendeu, “Lisboa está muito, mas muito longe da qualidade de vida que aqui é possível dar aos lisboetas”.

Em rota de colisão com António Costa, Rio voltou a atacar o Governo socialista acusando o PS de estar pronto para “levar Fernando Medina ao colo“.

“O PS vai fazer tudo para tudo porque é absolutamente vital para eles não perder Lisboa. Vão pôr a carne toda no assador“, disse Rio, sugerindo que para “manter os equilíbrios internos” e evitar a ascensão da ala mais à esquerda do PS, Costa tem de proteger a todo custo Medina.

Rui Rio queixou-se também do facto de a TVI manter como comentadores os autarcas e recandidatos Fernando Medina e Rui Moreira, dando “ajudas” que não devia dar.

Francisco Rodrigues dos Santos, líder do CDS, manifestou o desejo de que “estas eleições possam constituir um marco de mudança, que possam virar a página do socialismo e mobilizar um projeto alternativo”.

Fazendo rasgados elogios ao percurso de Carlos Moedas, o democrata-cristão pediu uma “oportunidade” aos lisboetas para que o antigo comissário mostre na capital o que já foi capaz de mostrar quando desempenhou cargos europeus. “Depois de 14 anos de socialismo, não queremos mais do mesmo com os mesmos“, disse Rodrigues dos Santos.

Gonçalo da Câmara Pereira, do PPM, não esconde a expectativa de fazer de Lisboa uma alavanca para “varrer este governo marxista que existe neste país”. “Carlos Moedas pode fazer a diferença. Vamos ajudar Lisboa a voltar a ter cultura própria”, pediu.

Pedro Soares Pimenta, líder do MPT, prometeu ajudar a construir um “projeto novo, válido e exequível”, por oposição àquela que tem sido a governação socialista de Fernando Medina.

Paulo Bento, presidente da Aliança e sucessor de Pedro Santana Lopes, elogiou a candidatura de Carlos Moedas e deixou claro que a estratégia deve passar pela “apresentação concreta e corajosa das diferenças que tem para os outros candidatos”.