O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) está a aproveitar o repatriamento das forças armadas da NATO e dos EUA para concentrar combatentes no norte do Afeganistão, disse esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov.

É importante prestar atenção ao Afeganistão, onde o Estado Islâmico está a concentrar ativamente as suas forças, e está a fazê-lo aproveitando o processo imperdoavelmente prolongado de preparação para verdadeiras negociações de paz”, apontou Lavrov.

O ministro russo expressou a sua preocupação com os avanços dos combatentes do EI, visto que o Afeganistão faz fronteira com países aliados da Rússia, como o Turquemenistão, Uzbequistão e Tajiquistão. Isto vem “no meio do comportamento irresponsável de alguns oficiais em Cabul e da retirada das tropas da NATO do Afeganistão”, defende Lavrov.

O ministro acrescentou ainda que Moscovo está a tentar persuadir o Paquistão, os EUA e a China para iniciar as negociações com os talibãs sobre um governo provisório.

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As conversações intra-afegãs começaram no passado mês de setembro, mas estagnaram devido à desconfiança entre o governo afegão e os talibãs. As acusações cruzadas entre os dois lados surgem quando a violência no país está no seu auge, especialmente nos últimos dois meses, depois de as forças dos EUA e da NATO terem iniciado a sua fase final de retirada de soldados destacados no território, no dia 1 de maio.

Desde então, os jihadistas capturaram quase 80 dos 407 distritos das forças governamentais, suscitando sérias preocupações entre os afegãos quanto à sua intenção de pôr fim à guerra de 20 anos de forma pacífica.