Todos nós já assistimos, horrorizados, a imagens de veículos a serem engolidos pelas cheias que sucedem às chuvas torrenciais. As mais recentes, que deixaram um rasto de fatalidades e de prejuízos na Europa central e em países como a China, provocaram perdas elevadas em vidas, mas também em casas, terrenos agrícolas, instalações industriais e em veículos. Os que não foram arrastados pelas enxurradas, ficaram submersos com o elevar do nível das águas. Daí o espanto provocado por alguns vídeos, que mostravam veículos a flutuar e a deslocar-se pelos seus meios.

Marcas de automóveis dão a mão a vítimas das cheias

Para flutuar sobre a água não é necessário um milagre, mas apenas que o peso do líquido que o corpo desloca ao ser mergulhado seja igual ou superior ao peso do próprio corpo, neste caso, do veículo. Se é isto que explica a flutuabilidade de um navio, no caso dos automóveis há que juntar a capacidade de impedir que a água invada o habitáculo – será mais atrasar, pois a água acabará sempre por entrar, sendo uma questão de tempo.

Um condutor de um Model 3 da Tesla foi visto a enfrentar uma zona alagada sob um viaduto. A altura de água não era suficiente para submergir o carro norte-americano, mas o modelo parecia flutuar, sobretudo quando comparado com os restantes veículos. Mas o mais surpreendente foi a capacidade de o Model 3 se deslocar, aparentemente à custa do movimento das rodas, a avaliar pelo spray de água que era provocado pelas rodas traseiras, indiciando tratar-se de uma versão Standard Range com apenas um motor montado no eixo posterior.

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Elon Musk, o CEO da marca, é o primeiro a confirmar que estes episódios de “natação” não são recomendáveis, recordando que catástrofes anteriores provaram que o Model S consegue flutuar como um barco durante breves períodos e deslocar-se devido ao movimento das rodas. Mas a água vai sempre acabar por entrar e, como estamos a falar de água suja, o veículo vai acabar por ficar marcado para sempre. À semelhança de outros fabricantes, também a Tesla testa os seus veículos em tanques de água à saída da linha de produção, mas com menos profundidade, como pode ver aqui: