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É o 215.º dia de guerra na Ucrânia, da operação especial militar — nas palavras do Kremlin — que devia ter demorado pouco mais de três dias. Em território russo continuam as manifestações contra a mobilização parcial militar e a finlandesa Svenska Yle noticiou na manhã desta segunda-feira que ao longo de todo o fim de semana mais de 17 mil russos atravessaram a fronteira com a Finlândia para evitar serem enviados para a frente de batalha.
Já Zelensky acredita que Putin não está a fazer bluff com a ameaça nuclear. “Ele quer assustar o mundo inteiro”, avisou o Presidente ucraniano ainda na noite de domingo, em entrevista à televisão norte-americana CBS. No habitual discurso disse ainda que a mobilização parcial anunciada pelo homólogo russo como uma tentativa de dar aos comandantes no terreno um “constante fluxo de carne para canhão”, com uma substituição dos soldados que morreram por alguém que “tem pelo menos armas nas mãos”.
Prosseguem nas regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia as votações dos referendos para adesão à Federação russa, marcadas por denúncias de irregularidades.
O que aconteceu durante a noite?
- Os russos do Daguestão voltaram esta segunda-feira às ruas para se manifestar contra a mobilização parcial, após os protestos que marcaram o fim de semana. Um vídeo partilhado pela SkyNews mostra um grupo de mulheres a afugentar um polícia russo durante um protesto.
A group of women successfully chases away a lone policeman at an anti-mobilisation protest in Dagestan https://t.co/TBCl9khPGK pic.twitter.com/jwJLqVPIcO
— Francis Scarr (@francis_scarr) September 25, 2022
- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, concordaram que “chegou a hora” de emitir uma nova declaração conjunta de ambas as entidades para “progredir na sua associação”.
- O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, o povo e as organizações civis ucranianas estão nomeadas para a edição de 2022 do Prémio Sakharov, do Parlamento Europeu, pela contribuição extraordinária para proteger a liberdade de consciência.
- Foram divulgadas esta segunda-feira imagens de satélite que mostram longas filas de trânsito na fronteira da Rússia com a vizinha de Geórgia. As imagens, divulgadas pela Maxar Technologies – empresa que tem acompanhado o conflito da Ucrânia -, foram tiradas no dia 25 de setembro.
- As forças ucranianas bombardearam um escola em Rubizhne (região de Lugansk), que servia como local de votação para os referendos de adesão à Rússia, avança a agência TASS. O ataque foi denunciado pelo líder da comissão eleitoral, apoiado pelas autoridades de Moscovo. Por agora não há registo de feridos.
- As forças de segurança russas detiveram hoje em Vladivostok, na parte leste do país, o cônsul japonês Motoki Tatsunori, acusado de espionagem.
- O primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, revelou que vão aumentar o apoio militar à Ucrânia e impor mais sanções à Rússia. A notícia surge depois de uma conversa que teve com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O que aconteceu durante a tarde
- Vários países da NATO estão a participar nos exercícios militares de dois dias no Mar Báltico. No treino está envolvida a força aérea do Reino Unido, da Hungria, da Alemanha, da Itália, da Turquia, da Estónia, da Lituânia, da Letónia e da República Checa.
- A Hungria deve preparar-se para uma guerra prolongada na vizinha Ucrânia, disse o primeiro-ministro, Viktor Orbán, que voltou a deixar criticas às sanções europeias à Rússia. A Europa “deu um tiro no próprio pé” com as sanções, afirmou.
- O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) disse ter notificado quatro oficiais apoiados pelas forças russas de que são suspeitos criminais pelo seu papel na organização dos referendos nas regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk.
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao fim da “era da chantagem nuclear”. À margem da 77.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, num evento que assinala o Dia Internacional da Eliminação Total de Armas Nucleares, Guterres comprometeu-se a trabalhar estreitamente com todos os Estados-Membros para neutralizar as ameaças nucleares
- O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou esta segunda-feira um decreto no qual concede cidadania russa a Edward Snowden, ex-analista dos serviços de informações norte-americanos, avança a Reuters.
- Residentes em territórios ucranianos sob controlo russo denunciam irregularidades na votação sobre a adesão à Rússia, com urnas por selar, ausência de listas de votantes e sem controlo sobre quem vota ou quantas vezes vota. “Nunca vi nada tão primitivo numa eleição”, disse um residente de Kherson à agência espanhola EFE.
- O Presidente da Bielorrúsia, Alexander Lukashenko, fez uma visita surpresa a Sochi, na Rússia, e encontrou-se com o homólogo russo, Vladimir Putin.
- O porta-voz do Kremlin disse que o governo russo “ainda não decidiu” se vai impor lei marcial ou fechar fronteiras, impedindo os homens em idade militares de sair do país.
O que aconteceu durante a manhã
Em Ryazan, uma cidade no oeste da Rússia, um homem imolou-se pelo fogo numa paragem de autocarro enquanto gritava não querer ir para a guerra;
O patriarca ortodoxo russo Cirilo afirmou que os russos que sacrificam as suas vidas no campo de batalha na Ucrânia verão lavados “todos os seus pecados”;
A OCDE alertou que uma escassez de energia mais grave, especialmente de gás, poderia aumentar a inflação da zona euro em 1,5 pp. e reduzir o crescimento na Europa em mais de 1,2 pp., levando a uma recessão;
Prigozhin admitiu que criou o grupo Wagner, segundo agência de notícias russa RIA. Yevgeny Prigozhin, também conhecido como o “chefe de Putin”, que nos últimos dias tem surgido em vários vídeos nas redes sociais a tentar recrutar presos russos para a guerra na Ucrânia terá agora admitido ser o “pai” do grupo Wagner;
Um homem baleou um comandante militar num centro de recrutamento na Sibéria, depois de recusar alistar-se na mobilização (parcial) para combater na Ucrânia;
Ainda no final da noite de domingo
Os EUA avisaram Moscovo que o uso de armas nucleares terá “consequências catastróficas” para a Rússia, porque Washington e os seus aliados responderão “de forma decisiva”;
À medida que vão sendo libertados do cativeiro, os militares britânicos que foram capturados pelos russos quando tentavam ajudar os ucranianos a defender-se começam a dar detalhes dos meses que estiveram sob domínio russo. “Queres uma morte rápida ou uma morte bonita?”, foi essa uma das perguntas que Aiden Aslin, de 28 anos, ouviu durante o cativeiro. Aslin revelou também que os prisioneiros capturados pelos russos eram obrigados a cantar o hino russo todas as manhãs;