A suposta operação de sabotagem que aconteceu esta quinta-feira em Bryansk, uma cidade russa localizada a alguns quilómetros da fronteira ucraniana, que teria sido levada a cabo por um grupo de soldados da Ucrânia, foi reivindicada por “voluntários” russos anti-Putin.

A alegada autoria foi confirmada num vídeo publicado pelo Corpo de Voluntários Russos na rede social Telegram, em que se anuncia que o grupo atravessou “a fronteira estatal” russa. “Não estamos a lutar contra os civis, não matamos pessoas desarmadas. Chegou a altura de os cidadãos russos entenderam que não somos escravos. Lutem!”

Denis Sokolov, que se apresentou ao jornal espanhol El País como chefe do “centro de coordenação da resistência do Conselho Civil do Corpo de Voluntários Russos”, confirmou igualmente que a ação foi executada por cerca de dez membros do grupo de “voluntários” russos.

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Sokolov, que admitiu não ter participado diretamente na operação, porque o seu trabalho passa sobretudo pelo recrutamento de membros, disse desconhecer os pormenores da ação, mas esclareceu que esta foi dirigida pelo líder do grupo, o lutador de artes marciais mistas Denis Nikitin, e que teve “objetivos estritamente militares”.

O sociólogo de São Petersburgo, atualmente a viver em Varsóvia, negou ainda as notícias sobre o alegado sequestro de civis. “Não se registou qualquer vítima mortal”, garantiu, acrescentando que o Corpo de Voluntários Russos é a favor da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e que reconhece o direito dos povos à autodeterminação.

Segundo o Financial Times, o Corpo de Voluntários Russos foi criado em agosto de 2022. Denis Nikitin, que o lidera, é um conhecido membro da extrema direita europeia, tendo fundado uma linha de roupa supremacista branca chamada White Rex. Ao longo dos anos, o lutador russo de artes marciais mistas angariou um largo grupo de seguidores na Europa e também nos Estados Unidos da América.

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Nikitin, que nasceu em Moscovo, vive na Ucrânia desde 2017, quando se mudou da Alemanha, onde viveu vários anos. Descreve o Corpo de Voluntários Russos como um grupo de “voluntários russos que integra as Forças Armadas da Ucrânia”, ligação nunca confirmada por Kiev.

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Em declarações ao Financial Times, Andriy Yusov, porta-voz dos serviços secretos ucranianos, descreveu o incidente desta quinta-feira em Bryansk como um problema “interno” russo. Yusov disse que o Corpo de Voluntários Russos é uma “formação independente” sem qualquer ligação às Forças Armadas ucranianas.

Também o conselheiro de Volodymyr Zelensky sugeriu que os recentes ataques em solo russo são “consequência direta da perda de controlo dentro da Federação Russa” e da “guerra”. Mykhailo Podolyak garantiu  no Twitter que a Ucrânia “não está envolvida nos conflitos internos da Federação Russa”.

Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu um comunicado em que acusa “os sabotadores ucranianos” de levarem a cabo um “ataque terrorista chocante” com recurso a armas fornecidas pela NATO.

“Os terroristas entraram em território russo, mataram dois civis e feriram com gravidade um rapaz de 11 anos”, detalhou a diplomacia russa, contrariando a versão do próprio Corpo de Voluntários Russos.

Lembrando que “os dirigentes ucranianos” têm admitido repetidamente que “todas as suas ações são levadas a cabo com o apoio e autorização dos Estados Unidos da América e de outros países da NATO”, o Ministério dos Negócios Estrangeiros levantou a possibilidade de “qualificar” a Aliança Atlântica como cúmplice “desses crimes e patrocinadores do terrorismo”.

“Tiramos as devidas conclusões sobre aquilo que aconteceu”, foi referido. “As autoridades russas iniciaram uma investigação. Esse crime não ficará impune.”

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O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, tinha referido durante a manhã desta sexta-feira que o incidente vai ser investigado e que serão tomadas medidas “para prevenir incidentes semelhantes no futuro”.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) admitiu não ser capaz de “verificar de forma independente” o que aconteceu. Referindo-se às versões contraditórias dos governos russo e ucraniano, e também às declarações do Corpo de Voluntários Russos, o grupo de investigação independente disse que os vídeos divulgados nas redes sociais “permanecem a única evidência concreta de que algo aconteceu”.