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Ucrânia reclama recuperação de três localidades em Donetsk

Este artigo tem mais de 3 anos

A recuperação de duas povoações na região de Donetsk já é oficial, as primeiras conquistas da contraofensiva ucraniana. Para já fica por confirmar a reconquista de Neskuchne às mãos da 129.º brigada.

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Anadolu Agency via Getty Images

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O Presidente ucraniano admitiu no sábado que a contraofensiva ucraniana já arrancou e 24 horas depois começam a chegar os primeiros relatos de progressos na linha da frente. Depois do silêncio que marcou o início da nova fase da guerra, as autoridades confirmaram este domingo ter recuperado o controlo das localidades de Blahodatne e Makarivka e, nas últimas horas, uma brigada ucraniana garantiu ter conseguido expulsar os russos da povoação de Neskuchne.

Tudo começou quando ao início do dia a 68.ª Brigada ucraniana Oleksa Dovbush anunciou ter recuperado a localidade de Blahodatne, a sul da cidade de Velyka Novosilka, que para já se tem assumido como um dos eixos da contraofensiva. “Os invasores resistiram até ao fim, mas não foram capazes de travar à ação”, pode ler-se na conta de Facebook da unidade, onde foi partilhado um vídeo dos militares a erguer de novo a bandeira amarela e azul na povoação.

No mesmo dia chegava a confirmação oficial de Kiev. As Forças Armadas não tinham apenas recuperado Blahodatne, mas também Makarivka. A notícia partiu da vice-ministra da Defesa ucraniana, Hanna Maliar, que através do Telegram, garantiu que os combatentes não perderam posições ao longo das últimas 24 horas.

No sul registaram-se progressos em duas frentes, entre 500 a 1.500 metros. As localidades de Blahodatne e Makarivka foram desocupadas”, revelou Hanna Maliar.

Ainda este domingo o 7.º batalhão de uma divisão das Forças de Defesa Territorial anunciou a reconquista de Neskuchne, também em Donetsk e a menos de 20 quilómetros da vizinha Zaporíjia — região que está 80% ocupada pelas tropas russas e um dos grandes focos da contraofensiva ucraniana.

Estas são as primeiras conquistas reivindicadas pela Ucrânia desde que se iniciou a aguardada contraofensiva, planeada ao longo de vários meses. Para Valeri Shershen, porta-voz das forças de defesa da região ucraniana de Tavria, “estamos a ver os primeiros resultados das ações de contraofensiva”.

Estes são os primeiros territórios libertados desde o início da contraofensiva que, de acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), arrancou no dia 4 de junho. As informações só foram divulgadas a partir do momento em que, no sábado, o Presidente ucraniano reconheceu oficialmente que a iniciativa estava já mesmo no terreno.

Combates em Zaporíjia aumentam preocupações sobre a maior central nuclear da Europa

Na frente de Zaporíjia aumenta a preocupação em relação à segurança da central nuclear, ocupada há mais de um ano pelas forças russas. A situação tornou-se mais alarmante após a explosão da barragem de Nova Khakovka, que fornecia água para as instalações, e a intensificação dos combates nas proximidades. “O aumento das atividades militares na região aumenta as nossas profundas preocupações quanto à segurança da maior central nuclear da Europa”, afirmou o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi.

Embora Kiev mantenha silêncio sobre o alcance e o progresso das ações ofensivas, os relatórios de guerra diários russos indicam que os combates mais intensos acontecem atualmente na região de Zaporíjia, em torno de Orykhiv e Lobkove. As cidades estão situadas a apenas 110 e 83 quilómetros, respetivamente, da cidade ocupada de Energodar, onde se situa a central nuclear de Zaporíjia.

A Rússia voltou a garantir este domingo que repeliu todos os ataques neste setor, mas o ISW afirmou na sua análise diária que as imagens geolocalizadas “indicam que as forças ucranianas fizeram avanços localizados a sudoeste e sudeste de Orchiv”.

Não são apenas os combates na linha da frente que preocupam o Ocidente, mas também a redução drástica do nível de água no reservatório perto da central nuclear, essencial para o seu arrefecimento. A água desceu de 17 metros antes da rutura da barragem, na terça-feira, para 9,1 metros este domingo, segundo a empresa estatal ucraniana Ukrhydroenergo.

A empresa ucraniana de energia nuclear, Energoatom, afirmou hoje que “apesar de os ocupantes russos terem feito explodir a barragem de Nova Kakhovka – em território controlado pela Rússia – a situação permanece estável e sob controlo”.

A Ucrânia afirma que, mesmo que a central perca o acesso à água da barragem, a estrutura pode continuar a ser arrefecida com água do tanque de arrefecimento da central, cujo nível está estável nos 16,67 metros.

O operador russo da central, criado após a anexação da região de Zaporíjia em setembro passado, afirmou que “implementa todas as medidas para garantir a segurança da central, incluindo as relacionadas com o sistema de arrefecimento”.

Este domingo mergulhadores do Ministério das Emergências russo efetuaram trabalhos para garantir um nível adequado de água no tanque. Cinco dos seis reatores da central estão em modo de “paragem a frio”, enquanto o último está atualmente em modo de “paragem a quente” e a fornecer vapor.

“Mesmo que não exista uma ameaça a curto prazo, o desastre da barragem está a causar novas e importantes dificuldades à central, numa altura em que a situação da segurança e proteção nuclear já é extremamente frágil e potencialmente perigosa durante o conflito militar”, insistiu Rafael Grossi. O argentino viajará na próxima semana com uma equipa reforçada para Zaporíjia, onde uma missão permanente da agência está a acompanhar a situação.

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