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Já começa a ser rotina. A última noite voltou a ser de sobressaltos na Ucrânia, com mais uma ronda de bombardeamentos russos, incluindo a oitava noite de investidas com drones contra Kiev. De acordo com a administração regional militar local, o ataque não provocou danos de maior, mas é mais um sinal de que o fogo russo sobre a cidade é cada vez mais o “novo normal” na capital ucraniana.
Mas não foi só em Kiev que se registaram ataques. Em Kherson, oito pessoas, incluindo quatro membros dos serviços de emergência, ficaram feridas num ataque russo e, em Donetsk, uma ofensiva do Kremlin resultou em um morto e cinco feridos.
Os ucranianos, por sua vez, não se deixaram ficar. Pelo menos é o que diz o Ministério da Defesa russo, que afirmou ter abatido vários drones ucranianos a cerca de 160 quilómetros de Moscovo. Em resposta à reticência de alguns aliados quanto aos cada vez mais comuns ataques em território russo, a Ucrânia defendeu que nada a proíbe de atacar diretamente a Rússia, reservando inclusive o direito de o fazer com armas de origem estrangeira — desde que sejam fabricadas pela indústria militar ucraniana.
Zelensky diz que luta na linha da frente é “dura” mas que Kiev “domina”
Um responsável ucraniano assumiu de forma oficial a responsabilidade pelos ataques à ponte de Kerch, que liga a Rússia à península ocupada da Crimeia. O procurador-geral ucraniano afirmou que o seu país está a investigar os ataques russos às infraestruturas de cereais como potenciais crimes de guerra, depois de, nesta quarta-feira drones russos atingirem infraestruturas portuárias no Danúbio e “danificarem” perto de 40.000 toneladas de cereais destinados à exportação. Portugal integra um grupo de mais de 90 países, que assinaram esta quinta-feira um comunicado conjunto que condena “o uso de comida como uma arma de guerra”, alertando para o facto de que 345 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar grave, causada por conflitos armados.
Eis um resumo dos outros acontecimentos que marcam o 526.º dia da invasão:
O que se passou durante o fim de tarde e início da noite?
- O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, voltou esta quinta-feira, na tradicional mensagem diária, a admitir que a contraofensiva da Ucrânia “está a ser difícil”, mas garantiu que as tropas ucranianas “estão a dominar as forças russas”.
- Moscovo não está a fazer quaisquer progressos no território ucraniano, mas o progresso da contraofensiva está a ser dificultado pelo facto de os russos terem as suas posições bem controladas e fortificadas com minas. A informação foi avançada por responsáveis militares ucranianos que, numa atualização à situação no terreno, na quarta-feira à noite, afirmaram que os russos têm concentrado os seus esforços sobretudo em ataques aéreos em regiões como o Danúbio.
- A mais recente missão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) à central nuclear de Zaporíjia teve de ser adiada por breves momentos depois de ter sido detetada a existência de minas russas no perímetro da central.
- Mais de 90 países, incluindo Portugal, assinaram hoje um comunicado conjunto que condena “o uso de comida como uma arma de guerra”, realçando que 345 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar grave, geralmente causada ou exacerbada por conflitos armados.
- Numa rara quebra com a política habitual de Kiev, um responsável ucraniano assumiu de forma oficial a responsabilidade pelos ataques à ponte de Kerch, que liga a Rússia à península ocupada da Crimeia. A confirmação surgiu através de Oleksy Danilov, secretário do Conselho de Defesa e Segurança Nacional do país, em declarações à televisão estatal.
- A União Europeia proibiu hoje a venda de drones para a Bielorrússia e alargou a lista de personalidades do país sancionadas no âmbito do apoio de Minsk à invasão russa da Ucrânia. A mais recente lista de medidas abrange 38 personalidades do regime e três empresas controladas pelo Estado bielorrusso.
- O chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken, acusou esta quinta-feira a Rússia, perante o Conselho de Segurança da ONU, de chantagem e de agressão à segurança alimentar global ao abandonar o acordo de cereais do Mar Negro.
- A Rússia já recrutou mais de 230 mil novos elementos para o exército desde o início do ano, afirmou hoje o vice-presidente do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev. Citando dados do Ministério da Defesa, Medvedev afirmou que “entre 1 de janeiro e 3 de agosto, um total superior a 231 mil pessoas foram aceites para o serviço” militar.
- O procurador-geral ucraniano afirmou que a Ucrânia está a investigar os ataques russos às infraestruturas de cereais como potenciais crimes de guerra, avançou a Sky News. Na manhã de quarta-feira os drones russos atingiram infraestruturas portuárias no Danúbio e “danificaram” perto de 40.000 toneladas de cereais destinados à exportação.
O que se passou durante a tarde?
- Numa publicação feita na rede social X (antigo Twitter), Alexey Navalny, crítico do Kremlin que está detido, disse que a sua sentença vai ser lida dentro de 24 horas e antecipou uma pena “enorme” e “estalinista”. “Pediram 20 anos, portanto vão dar 18 ou algo do género”, afirmou;
- Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, diz que o grupo dos BRICS sairia reforçado com a entrada de novos membros;
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, anunciou que a Rússia vai reduzir as exportações de petróleo em 300 mil barris por dia em setembro; - As autoridades anticorrupção ucranianas anunciaram esta quinta-feira a prisão em Kiev de um oficial das Forças Armadas acusado de ter ajudado recrutas a escapar ao recrutamento militar;
- As autoridades ucranianas atribuíram a queda de helicóptero que em janeiro de 2023 vitimou 18 pessoas, incluindo o ministro do Interior, às más condições atmosféricas e a uma suposta negligência de cinco funcionários dos serviços de emergência.
O que se passou durante a manhã?
- No âmbito da Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco encontrou-se esta manhã em Lisboa com um grupo de 15 jovens peregrinos da Ucrânia, na Nunciatura Apostólica;
- Os mercenários do grupo Wagner estão a ser recolocados para perto do flanco oriental da NATO com o objetivo de desestabilizar a região, afirmou o primeiro-ministro polaco;
- O especialista em relações internacionais Miguel Monjardino defendeu que a União Europeia e a NATO não vão ser suficientes para proteger a Europa no futuro, sendo necessário “caminhar para uma arquitetura institucional diferente”;
- Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia confirmou que o país vai estar presente nas negociações de paz organizadas pela Ucrânia, que vão juntar cerca de 30 países na Arábia Saudita;
- A Rússia adicionou a Noruega à sua lista de “países hostis”, que cometeram atos contra missões diplomáticas russas;
- O Sberbank, sancionado pelo Ocidente devido à guerra na Ucrânia,obteve um lucro de cerca de 7.214 milhões de euros (737.500 milhões de rublos) no primeiro semestre, anunciou esta quinta-feira o principal banco russo;
- Um tribunal de Moscovo multou a gigante tecnológica Apple em 400 mil rubros (cerca de 3.900 euros) por não ter apagado conteúdos “imprecisos” sobre a “operação militar” da Rússia na Ucrânia.