A ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, elogiou esta quarta-feira o trabalho das autoridades na captura de três dos cinco reclusos que fugiram da prisão de Vale dos Judeus, em setembro. E, questionada pelos jornalistas, recusou pronunciar-se sobre a possibilidade de José Sócrates ser julgado ainda este ano pela alegada prática de crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Contudo, sem falar em “nenhum caso concreto”, disse notar “por parte da magistratura uma vontade de impor maior celeridade aos processos”, incluindo aquele que visa o ex-primeiro-ministro. “Isso é algo que me agrada, enquanto ministra da Justiça, como não podia deixar de ser”, sublinhou.

As declarações de Rita Alarcão Júdice, que foram transmitidas pelas televisões, foram feitas após uma conferência organizada pela Polícia Judiciária acerca da luta contra a corrupção. Ao lado de Luís Neves, diretor nacional da PJ, a ministra disse que a detenção do terceiro fugitivo, o georgiano Shergili Farjiani, em Itália depois de já terem sido encontrados Fernando Ferreira, em Trás-os-Montes, e Fábio Loureiro, em Marrocos, dá uma “excelente imagem” de “cooperação internacional”. Falta agora localizar o britânico Mark Roscaleer e o argentino Rodolfo Lohrmann.

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A ministra adiantou ainda que a PJ tem uma “ótima reputação” internacional, que é “reconhecida por todos”.

Recebi com uma grande satisfação [a notícia da detenção do terceiro recluso]. Nunca duvidei do trabalho e da capacidade deste resultado. Estes resultados são demorados e exigem um grande trabalho de bastidores”, disse a ministra.

Minutos antes, durante a conferência, a governante já tinha afirmado, segundo a CNN, que era um “grande orgulho” o “trabalho que a Polícia Judiciária desenvolve diretamente em cooperação, seja com outros órgãos de polícia criminal, seja em cooperação internacional”. Para Rita Alarcão Júdice, este “infeliz caso tem sido um sucesso nessa parte”. E, por isso, pediu a Luís Neves que “aceitasse também este reconhecimento, esta gratidão, não só como ministra da Justiça, mas como cidadã”.

PJ já suspeitava que fugitivo georgiano pudesse estar no sul da Europa

O diretor nacional da Polícia Judiciária agradeceu os elogios e a confiança no trabalho da Judiciária e, em resposta aos jornalistas, disse que ainda é “muito cedo” para revelar mais detalhes acerca da detenção do georgiano Shergili Farjiani, que foi “recapturado no norte de Itália”. Questionado sobre se o recluso tinha praticado crimes nessa região, Luís Neves reiterou que esta é uma “matéria que ainda está em sigilo” e que serão dadas mais informações “quando for oportuno”.

Apesar disso, Luís Neves notou que as autoridades já suspeitavam que o fugitivo pudesse estar no sul da Europa e tinham identificado Itália, além de França e Espanha, como uma das “possibilidades”. 

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Shergili Farjiani deverá ser extraditado em breve, uma vez que, segundo Luís Neves, “o mandado de detenção europeu é mais rápido do que o internacional”, através do qual foi detido Fábio Loureiro. O português, capturado em Marrocos, também deverá voltar para Portugal em breve, uma vez que “não se opôs” à extradição.

Luís Neves falou ainda sobre a confirmação da pena de prisão, por parte da Tribunal da Relação de Lisboa, de dois anos e dez meses a Mário Machado por incentivar à violência nas redes sociais, afirmando que esta é uma “decisão, do ponto de vista jurídico e humano, que dá grande conforto”. “Estamos a falar de crimes de ódio, de incitamento à violência, perante mulheres que eram expostas por pertencerem a estruturas políticas de esquerda”, notou, acrescentando que a condenação é a “única recompensa que estas vítimas que vivem aterrorizadas durante demasiado tempo têm”, uma vez que ficam “salvaguardadas”.

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