O Papa Francisco decidiu atribuir um bónus mensal de 300 euros às famílias numerosas no Vaticano, de acordo com um comunicado divulgado pelo Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.
De acordo com a nota, trata-se de uma “iniciativa pessoal” do Papa Francisco que se aplica exclusivamente a funcionários do Governatorato (a estrutura responsável pelo governo do Vaticano enquanto estado, não se confundindo com a Santa Sé, responsável pelo governo da Igreja Católica a nível global) que tenham três ou mais filhos.
Cada família que satisfaça estas condições passa a ter, desde 1 de janeiro, direito a receber 300 euros mensais até que os filhos completem 18 anos ou até à conclusão dos estudos superiores, situação em que o apoio se estende até aos 24 anos.
A imprensa católica descreve a iniciativa do Papa como uma medida destinada a traduzir num ato concreto os múltiplos apelos lançados pelo líder da Igreja aos países de todo o mundo para que favoreçam a natalidade através de incentivos às famílias.
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Outra medida divulgada no comunicado do Vaticano passa pelo alargamento de três para cinco dias da licença parental para o pai, aplicando-se também ao pai adotivo. A política de licenças parentais do Vaticano tem sido amplamente criticada pelos funcionários por ser muito reduzida.
A medida tem um carácter essencialmente simbólico, já que a população do país mais pequeno do mundo é muito reduzida. Os dados estatísticos mais recentes revelam que o Vaticano tem 618 cidadãos e que vivem 764 pessoas no estado (cidadãos e não-cidadãos), que tem atualmente 64 passaportes válidos emitidos. Em média nasce apenas um bebé por ano no microestado — habitualmente, filho de um guarda suíço.
Como explica o jornal Crux, a decisão do Papa deve ser lida também no contexto do declínio populacional da Europa e de Itália em concreto. Em 2024, a idade média dos italianos era de 48 anos e a taxa de natalidade ficava apenas entre os 1,2 e os 1,3 — o que faz de Itália o país mais velho da Europa.
Com as dificuldades económicas e laborais a impedirem as famílias de ter mais filhos, desenha-se um cenário de declínio populacional na Europa — uma questão que sido uma prioridade para o Papa Francisco nas suas intervenções em todo o mundo.