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“Se um dia houver acordo de paz, precisaríamos de pelo menos 200 mil soldados europeus como garantia de segurança”. Segundo Volodymyr Zelensky, qualquer valor inferior ao indicado seria o mesmo que “não ter nada”. Em declarações aos jornalistas no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, o Presidente da Ucrânia admitiu ainda que seria “preferível” que este valor de tropas destacadas pelas outras potências europeias chegasse “mais perto do milhão”.
Até lá, Zelensky antecipa “sanções reais e compreensivas contra a Rússia” a ser aplicadas pela nova administração dos Estados Unidos da América, defendendo que “só num pé de igualdade é que pode negociar com Moscovo” — qualquer outra coisa seria “uma derrota para a Ucrânia”.
Para o Chefe de Estado ucraniano, a Europa deve colocar a segurança no centro das suas prioridades e não ficar apenas à espera do que os EUA vão fazer em termos de apoio à Ucrânia. “Há 20 horas, o Presidente Trump tomou posse e estamos à espera do que ele vai fazer. Já demonstrou claramente as prioridades e todos precisamos saber o que acontecerá com a América e o seu apoio, como é que Trump terminará as guerras… Mas ninguém faz essas perguntas em relação à Europa. A Europa está a olhar para os EUA”, afirmou.
Zelensky realçou, também, a necessidade de um “apoio forte e global” em nome da paz. “Precisamos de perceber que se, a guerra continuar na Ucrânia, a Europa também não ficará em segurança. A Europa precisa de manter as prioridades e compreender que a segurança é essencial”, sintetizou. Estas prioridades passam pelo aumento do investimento na Defesa: “A Europa precisa de produzir muitas mais armas”.
Salientou que a Rússia já está a trilhar esse caminho e que Putin intensificou as ligações com o Irão e a Coreia do Norte para poder ameaçar a Ucrânia e a Europa. “As nossas prioridades estratégicas devem ser criadas em relação à defesa da economia. Só conseguimos fazer isso juntos. E temos também de pensar no futuro, no desenvolvimento da Ucrânia. Precisamos de estratégias para garantir a segurança na Europa. Mesmo que seja preciso 5% do PIB para cobrir as despesas da guerra, podemos fazer isso, porque a segurança será sempre compensada”, declarou Zelensky.
“O investimento na Ucrânia é o investimento na segurança da Europa”, reforçou novamente. Para o Presidente da Ucrânia, é essencial não poder “depender de Moscovo” e, como tal, apelou à procura de uma alternativa energética, que afaste a comunidade europeia de Putin, uma vez que “não podem acreditar na boa vontade da Rússia”.
Volodymyr Zelensky confirmou que ainda não existiram “negociações verdadeiras” com o seu homólogo russo ao fim de quase 3 anos de conflito. “As três tentativas que tiveram lugar não foram negociações, foram um ultimato”. Citado pelo jornal El Mundo, o chefe de Estado ucraniano esclarece que, apesar das iniciativas passadas terem sido conduzidas por Recep Tayyip Erdoğan, agora, “Trump é o único jogador”. Questionado sobre as tentativas do Presidente do Brasil na mediação do conflito, Zelensky diz que “Lula já não tem palavra sobre o assunto”.
De modo a destacar a importância do agora Chefe de Estado norte-americano, Zelensky acredita que, apesar da oposição já manifestada pela Alemanha, Eslováquia e Hungria em relação à adesão da Ucrânia à NATO, se Donald Trump aceitar Kiev na Aliança, então a Ucrânia passa a integrar o coletivo.