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"Heil Tesla": ativistas projetam slogan controverso na fábrica da marca na Alemanha

Este artigo tem mais de 1 ano

Um vídeo sobre o apoio de Elon Musk à extrema-direita e uma foto do milionário de braço esticado e a palavra Heil antes do logótipo da Tesla foram projetados na fábrica da marca.

O incidente foi reivindicado por dois grupos ativistas, que afirmam ter trabalhado em conjunto: o britânico Led by Donkeys e o alemão Zentrum für Politische Schönheit
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▲O incidente foi reivindicado por dois grupos ativistas, que afirmam ter trabalhado em conjunto: o britânico Led by Donkeys e o alemão Zentrum für Politische Schönheit

▲O incidente foi reivindicado por dois grupos ativistas, que afirmam ter trabalhado em conjunto: o britânico Led by Donkeys e o alemão Zentrum für Politische Schönheit

Dois grupos de ativistas projetaram numa fábrica da Tesla nesta quarta-feira uma imagem do gesto que Elon Musk reproduziu na passada segunda-feira no comício de Donald Trump que foi amplamente considerado uma saudação nazi, apesar de o próprio negar as alegações.

Elon Musk nega ter feito saudação nazi e critica detratores

“Heil Tesla” e “Boycott Tesla” foram duas frases que se puderam ler na fachada da fábrica da Tesla em Grünheide, a 30 quilómetros de Berlim tal como um vídeo de quase cinco minutos que acusava o homem mais rico do mundo e dono da Tesla de “utilizar a sua fortuna para promover ativistas de extrema-direita”.

O incidente foi reivindicado por dois grupos ativistas, que afirmam ter trabalhado em conjunto: o britânico Led by Donkeys (Liderados por burros, em português) e o alemão Zentrum für Politische Schönheit (Centro de Beleza Política).

Este último, que reivindicou o incidente na rede social X, é um grupo ativista que ganhou tração inicialmente como sendo anti-Brexit, projetando declarações e publicações em redes sociais de políticos em edifícios e letreiros.

Já o Led by Donkeys que também divulgou a ação nas redes sociais,  fundado em 2009, é conhecido pelas suas ações provocatórias e teatrais de forma a “abordar apatia política e questões sociais focadas nos direitos dos refugiados, fascismo e responsabilidade histórica”, sublinha a revista norte-americana Newsweek,

Apesar das publicações com o respetivo vídeo dos dois grupos, a polícia de Berlim declarou ao jornal alemão Tagesspiegel que, após contactarem os seguranças do edifício, chegaram à conclusão de que as fotografias e o vídeo eram falsos.

“Não encontrámos nenhuma prova, mesmo depois de consultar a segurança da fábrica da Tesla. Logo, nunca aconteceu. A foto é falsa”, declararam as autoridades policiais da capital alemã. No entanto, um dia depois, ao mesmo jornal, a polícia revelou que o caso está a ser investigado pelo Ministério Público alemão, sendo que o Tagesspiegel também encontrou uma outra imagem da projeção. 

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“A divulgação das imagens nas redes sociais justifica, pelo menos, uma suspeita inicial da utilização de símbolos anticonstitucionais”, delcarou o Ministério Público ao Tagesspigel, em referência à ilegalidade da reprodução de saudações nazis no país.

Os grupos ativistas acusam os seguranças de mentir. “Eles sabem que aconteceu. Têm câmaras de vigilância suficientes para verem o ocorrido”, disse um representante dos grupos ativistas, ao Tagesspiegel.

E o Centro da Beleza Política respondeu à investigação do Ministério Público na rede social X: “Afinal, estão a ver no gesto uma saudação nazi!”, escreveu o grupo.

O vídeo com quase cinco minutos que foi projetado acusa Elon Musk de defender na rede social X — plataforma da qual é proprietário — diversas figuras que rotulam como “ativistas de extrema-direita”.

Alguns dos indivíduos que o vídeo acusa Elon Musk de defender são Tommy Robinson (ex-membro dos “fascistas” do Partido Nacional Britânico e fundador da English Defence League, um movimento islamofóbico conhecido por organizar protestos contra a “propagação” do islamismo no Reino Unido), Andrew McIntyre (neo-nazi britânico preso por organizar diversos protestos de extrema-direita numa mesquita em Southport no passado dia 30 de julho e por incitar à violência online) e o austríaco Martin Sellner (líder e cofundador do partido nacionalista Movimento Identitário da Áustria, que foi detido enquanto discursava na Suíça).

O vídeo critica ainda o bilionário norte-americano de origem sul-africana por apoiar o partido alemão AfD nas próximas eleições legislativas alemãs, lembrando que nem o partido de extrema-direita francês de Le Pen admite colaborar com essa formação política.

E termina com um apelo ao boicote à empresa defendendo que cada carro comprado é “um apoio a um ativista de extrema-direita”.

O gesto que Elon Musk reproduziu no comício de inauguração da presidência de Donald Trump na passada segunda-feira causou bastante controvérsia. O homem mais rico do mundo abordou a situação na rede social X, afirmando que “a narrativa de que toda a gente é Hitler está tão badalada”.

E Musk recebeu esta quinta-feira o apoio do Presidente da Argentina, rotulando o gesto como “inocente” e “maravilhoso”, criticando a “cultura woke”.

Milei defende “gesto inocente” do “maravilhoso” Musk e ataca ideologia ‘woke’

Texto editado por Dulce Neto

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