Marlene,
R. do Jardim do Tabaco, Lisboa. Terça a sábado, das 19h00 às 00h00. Preço médio pessoa 130 euros
“É uma questão de timing, mas gostaria que este restaurante fosse um dia premiado. Acho que merecia ganhar a estrela Michelin. Acho que a minha equipa e este restaurante mereciam”. Em novembro de 2022, já Marlene Vieira assumia em entrevista ao Observador que o astro da restauração estava na mira do seu recém aberto Marlene, (assim mesmo, com direito a vírgula). Três anos depois de abrir o espaço no Terminal dos Cruzeiros de Lisboa, torna-se a primeira mulher a conquistar a estrela Michelin, liderando a cozinha em nome próprio. À beira rio e a um passo de Santa Apolónia, se o lírio é um dos pratos presentes no menu, desde o início da casa, uma das entradas mais recentes na carta é o salmonete na brasa com arroz cremoso de trombetas, mão de vaca e algas. Do algarvio xerém ao ouriço do mar, da cebola com puré de castanha assada, gema curada, enguia grelhada e mole negro que a acompanham, sem esquecer, para finalizar, a mousse de sésamo recheado com curd de limão, sorvete de lima e emulsão de coco, com um toque salgado de crocante de alface do mar, há muito por onde entreter o estômago. Também há combinações com um toque nipónico, como o Chawanmushi de berbigão à Bulhão Pato, um dos pratos que conjuga elegantemente influências de duas gastronomias. E daqui por diante, certamente (ainda) muitos mais motivos para rumar à zona oriental da cidade e explorar o receituário nacional a la Marlene.
Grenache
Pátio de Dom Fradique 12, Lisboa, Portugal. Menu Grenache 105 euros. Harmonização de vinhos €75/ Harmonização de vinhos premium €140. Menu Experience 135 euros. Harmonização de vinhos €100/ Harmonização de vinhos premium €175
Está relativamente escondido, algures atrás da Porta de Dom Fradique, parte da muralha do castelo de São Jorge, mas o Guia Michelin já tinha dado por ele em 2021, quando um dos pratos da casa mereceu distinção. Quatro anos depois, já não vale a pena gritar “Lisboa não sejas francesa” porque as propostas gaulesas estão mais que instaladas, e premiadas, e a avaliar pelos inspetores merecem uma nota de atenção. É nesta zona histórica da cidade (que por si merece visita), no tranquilo Pátio de Dom Fradique, junto ao Palácio dos Condes de Belmonte, que o chef Philippe Gelfi dirige o Grenache, fiel às suas origens. A cozinha por aqui quer-se contemporânea sem esquecer essa referência francesa fundadora, com a elegância e a técnica a serem conjugadas com o sabor — e se gosta de apreciar as andanças entre tachos, e o devido toque blanche, é possível seguir tudo o que se passa enquanto preparam um de dois menus, o Grenache ou o Experience. Quando o bom tempo espreitar, pode sempre acrescentar à experiência a romântica esplanada.
ARKHE
Rua de São Filipe Néri 14, Lisboa. Só jantares, encerra ao fim de semana. A partir de 55 euros pessoa.
O Guia descreve-o como um “templo da comida vegetariana e vegan”, e com o aumento da propostas de topo pelo país fora que se dedicam em exclusivo aos vegetais vale a pena acrescentar mais esta entrada à lista de obrigatórios na capital. Ao leme do ARKHE está o chef brasileiro João Ricardo Alves. A um passo do Largo do Rato, a atenção à sazonalidade impera e promete convencer, e converter, carnívoros a esta modalidade, para uma alta-cozinha que consegue triunfar longe da proteína — basta ver como o Encanto de José Avillez acabou de garantir mais uma estrela Verde para Portugal. Depois da aventura que tiveram anteriormente na zona de Santos, João e Alejandro Chávarro obtiveram a distinção Bib Gourmand em 2021. Agora, chegou a vez da estrela. Uma boa desculpa para começar a reservar mesa durante a semana, porque aos sábados e domingos a casa encerra. E, já agora, para recordar a entrevista que João Ricardo Alves deu ao Observador há quatro anos, em que desmistifica em muitos pontos essa coisa de ser sustentável.
Oculto
Largo Dom Afonso Sanches, Vila do Conde. Jantares, das 19h30 às 22h30. Encerra ao domingo e segunda-feira. Preço médio: 140 euros pessoa
Se o ano passado a colheita já foi generosa para Vítor Matos, este ano o chef soma a segue, agora com destaque para o seu Oculto. Emocionado, o chef e companheiro de aventura Hugo Rocha recordou em palco os primeiros tempos na cozinha, sob a liderança de Matos, então na cozinha da Casa da Calçada. “Sou feliz naquilo que faço, esta coisa de juntar pessoas em projetos especiais, adoro isso”, acrescentou ainda Vítor. Ora este Oculto é vizinho de um Mosteiro e ainda de um bar Abadessa. É que estamos num piso quase secreto do hotel The Lince Santa Clara, sobre a foz do rio Ave, em Vila do Conde, qual galeria subterrânea com paredes imponentes. Afinal, falamos de um restaurante de autor instalado no espaço do antigo Mosteiro de Santa Clara, um fine dining descomplicado que aposta num menu totalmente vegetariano e num outro dedicado aos sabores do mar (com direito a sapateira, ouriço do mar, bacalhau, cavala, gamba vermelha, lula e robalo.) Ah, não se esqueça de espreitar a Wine Cellar, uma pérola escondida para os apreciadores de vinho, com mais de 500 referências cuidadosamente selecionadas. O espaço também permite receber com exclusividade, acolhendo até 10 convidados.
Vinha
Vinha Boutique Hotel. R. Fonte da Vinha, Vila Nova de Gaia. Terça a sábado, 19h00 às 22h30. Preço médio: 75 euros pessoa. Harmonização vínica a partir de 70 euros.
Henrique Sá Pessoa viu o seu Alma manter as duas estrelas Michelin mas a noite não ficou por aqui para o chef português. Ao lado de Jonhathan Seiller, garantiu que o Vinha by Boutique Hotel agarrava o seu primeiro astro e justificava uma passagem por Vila Nova de Gaia. Rodovalho, lombo de bacalhau confitado, veado cantarelo ou presa de porco Ibérico apresentam-se nos pedidos à carta, mas também pode optar por menus como o Identidade (125 euros), que refletem inspiração nacional e as viagens dos timoneiros. Se é adepto dos pormenores instagramáveis, o espaço pensou em si. A sala de jantar conta com um par de jarras chinesas em tons de verde, e todo o restaurante é revestido em Mármore Verde Esmeralda, importado do Brasil (um bom fun fact para partilhar com a sua companhia á mesa.) Se precisa de dados adicionais, o tecto é da marca holandesa Moooi.
© Vinha by Boutique Hotel
YŌSO
Rampa das Necessidades 6, Alcântara, Lisboa. Menu jantar 95 euros
Se o chegou a conhecer atrás do balcão do extinto Mattë, na Calçada Marquês de Abrantes, em Lisboa, sabe o que esperar de Habner Gomes, visivelmente emcionado na noite desta terça-feira, no Porto. “Para a minha filha sou o melhor chef do mundo”, riu-se. É agora em pista própria, ao lado do sócio José Balau (também com as bebidas em mãos) que o chef mantém o nível de exigência no YŌSO; o pequeno reduto em Alcântara, onde ao balcão para nove se juntam mais três mesas — é diante do chef que o essencial acontece e que o momento se torna mais revelador do ponto de vista gastronómico (e do contacto com o anfitrião). “O restaurante só tem oito meses, ainda é um bebé, mas com honestidade e o melhor produto do mundo é muito fácil trabalhar em Portugal pela excelente matéria prima.”, acrescentou na gala, após a notícia da distinção. Neste seu YŌSO, o fator surpresa continua a assistir a experiência omakase, que não por acaso significa confiança. Sem enumeração de pratos ou ingredientes, Gomes cruza este estilo com as diferentes técnicas da cozinha kaiseki e do período nam ban e mostra como os quentes, caldos e grelhados povoam uma riqueza culinária que em muito transcende a popularidade do sushi, do peixe cru ou do arroz. Ao almoço, a modalidade de sopa miso e uma bento box permitem aceder a estes sabores por 35€.
Instagram @yoso_omakase
Palatial
Av. da Independência 8, Arcos, Braga. Abertos de Terça a Sábado ao almoço e jantar. Menu 90 euros. Três harmonizações disponíveis: palatial 50 euros, premium 80 euros e champagne 110 euros
Se duvidas restassem, pode arrumar de vez a ideia de que os restaurantes de hotel só devem interessar a turistas. A escassos quilómetros da atual capital da cultura, a gastronomia, a hotelaria e os vinhos unem-se num só espaço, no RPI Business Center, onde se apresentam com as marcas Palatial Restaurante & Suites e Amistad Wine. A comandar a área da cozinha está o chef Rui Filipe, para uma aposta em produtos locais e sazonais e técnicas tradicionais elevadas. À opção a la carte juntam-se as propostas desenhadas para a estação mais recente, com dois menus de degustação, o Menu Tradição, baseado numa cozinha tipicamente portuguesa, para os apreciadores de uma cozinha mais inovadora foi desenvolvido o Menu Inovação.
Blind
Rua de Entreparedes 40, Porto. Experiência de 12 momentos 175 euros por pessoa. Experiência de 10 momentos 155 euros por pessoa. Harmonização de 12 momentos 100 euros por pessoa. Harmonização de 10 momentos 85 euros por pessoa.
Dentro do Torel Palace Porto, o restaurante já estava recomendado pelo Guia Michelin desde o ano passado e ganha agora a primeira estrela. A cozinha é dirigida pelo “blind master”, o estrelado chef Vítor Matos, que já tinha uma estrela pelo 2Monkeys, duas pelo Antiqvvm, e que garantiu mais um astro nesta edição, agora para o Oculto. No comando diário da cozinha está a chef Rita Magro, que ganhou o prémio Chef Jovem na Gala Michelin do ano passado, e é a “mini princess blind master”. O conceito é um tributo a Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago, e tem pratos que visam a exploração dos cinco sentidos. O menu degustação é surpresa, com 10 ou 12 momentos, uma verdadeira experiência sensorial na qual quem prova poderá ser vendado, ouvir sons ou sentir aromas no meio da refeição.
Instagram @blind_restaurante