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O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que a Ucrânia “pode esquecer” a adesão à NATO, pretensão a que atribuiu o atual conflito entre este país e a Rússia. “Podem esquecer a NATO (…) acho que essa é provavelmente a razão porque tudo começou”, afirmou Trump, referindo-se ao conflito em território ucraniano, pelo qual se tem escusado a responsabilizar a Rússia, que invadiu o país vizinho há três anos.

Numa conferência de imprensa após a primeira reunião do seu executivo, Trump afirmou ainda que espera encontrar-se em breve com o Presidente russo, Vladimir Putin, na tentativa de chegar a um acordo para acabar com o conflito.

O Presidente norte-americano recusou-se a detalhar que concessões pediria aos dois lados e deixou elogios ao seu homólogo russo. “Ele é um tipo muito inteligente, muito astucioso. Eu já lidei com pessoas muito más, mas ele não tinha nenhuma intenção de resolver esta guerra”, avalia, acrescentando que o desejo de um acordo só surgiu depois da sua eleição. “Acredito que ele teria continuado a avançar na Ucrânia [se eu não tivesse sido eleito]”, declarou.

Noutro ponto das suas declarações, o Chefe de Estado norte-americano criticou novamente a forma como a administração Biden retirou as tropas do Afeganistão e considerou que o Presidente russo aproveitou esse momento para invadir a Ucrânia, seis meses mais tarde. “Para ser justo com Putin, quando ele viu aquilo, ele disse ‘Bem, parece que esta é a nossa oportunidade de ir para a Ucrânia’, porque o timing lhe pareceu correto”, argumenta o Presidente norte-americano.

Quanto às concessões exigidas a Kiev, sublinhou considerar inaceitável a aspiração da Ucrânia de ingressar na Aliança Atlântica. Trump e Zelensky assinam na sexta-feira na Casa Branca um acordo sobre minérios exigido pelo líder norte-americano em troca da ajuda dos EUA a Kiev.

Trump e Zelensky assinam acordo sobre minérios em Washington na sexta-feira

Também esta quarta-feira, Zelensky tinha anunciado que a base de um acordo económico com os Estados Unidos está pronta, embora tenha referido que esse acordo não oferece garantias de segurança dos EUA que Kiev considera vitais para resistir à invasão russa.

Um acordo completo pode depender das negociações previstas para terem lugar em Washington já na sexta-feira, disse Zelensky durante uma conferência de imprensa em Kiev.

A base acordada é um passo preliminar em direção a um pacote abrangente que estará sujeito à ratificação do Parlamento ucraniano, explicou.

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Na Casa Branca, Trump assegurou que está determinado a conseguir um acordo com a Ucrânia sobre as terras raras (minérios), por forma a obter de volta muito do dinheiro que os Estados Unidos enviaram para Kiev. “[O ex-Presidente, Joe] Biden gastou cerca de 350 mil milhões de dólares [cerca de 320 mil milhões de euros] e não obteve nada de volta. Eu vou garantir que vamos ter esse dinheiro de volta e muito mais”, assegurou Trump, dizendo que espera obter um bom acordo com Zelensky quando este visitar a Casa Branca.

Zelensky já tinha rejeitado ofertas iniciais dos EUA, argumentando que não continham garantias de segurança adequadas para a Ucrânia e que o preço proposto de 500 mil milhões de dólares (cerca de 480 mil milhões de euros) iria sobrecarregar gerações de ucranianos com dívidas.

Contudo, Kiev mostrou interesse em usar os investimentos norte-americanos como forma de prender os EUA ao destino da Ucrânia.

A versão mais recente do acordo diz que os Estados Unidos “apoiam os esforços da Ucrânia para obter garantias de segurança necessárias para estabelecer uma paz duradoura”, mas não especifica qualquer compromisso dos EUA em fornecer essa segurança.

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“Eu não vou fazer garantias de segurança. A Europa vai fazer isso”

Na conferência de imprensa, Trump clarificou que alguns líderes europeus — incluindo o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer — já tinham prometido enviar forças de paz para a Ucrânia, no âmbito de um acordo de paz na Ucrânia.

Questionado sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos vão dar à Ucrânia, Trump respondeu: “Eu não vou dar garantias de seguranças por aí além. Vamos ter a Europa a fazer isso porque a Europa é que o vizinho do lado. Mas vamos garantir que tudo corre bem”. Depois, Trump defendeu que o acordo é positivo para a Ucrânia, pois a presença norte-americana no país é uma “segurança automática”. “Ninguém se vai meter com as pessoas quando nos lá estivermos”, afirmou.

Starmer e Macron, elogiaram na terça-feira a “liderança” do Presidente norte-americano em prol de uma “paz duradoura” na Ucrânia, que “deve estar no centro de quaisquer negociações”.

Segundo o gabinete do chefe de governo britânico, Starmer e Macron concordaram, numa conversa telefónica, ser oportuna “a liderança do Presidente Trump no trabalho em prol de uma paz duradoura na Ucrânia”.v”Ambos reiteraram que a Ucrânia deve estar no centro de quaisquer negociações, e o Reino Unido e a Europa estão prontos para fazer a sua parte“, refere ainda o comunicado de Downing Street.

Starmer estará nos Estados Unidos quinta-feira para uma reunião bilateral com Trump, com quem irá discutir a iniciativa para a paz na Ucrânia e o aumento dos gastos com defesa. Macron e Trump encontraram-se em Washington, D.C. na segunda-feira, dia do terceiro aniversário do início da invasão russa da Ucrânia, que foi a principal questão abordada.

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Enquanto decorrem contactos diretos entre Washington e Moscovo sobre um acordo de paz na Ucrânia, excluindo o bloco europeu e Kiev, Trump defendeu a política de conciliação em relação ao Presidente russo, Vladimir Putin.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e “desnazificar” o país vizinho, independente desde 1991 — após a desagregação da antiga União Soviética — e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.