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Um "político diferente" e um elogio pelo encontro com Trump. A visita de Macron aos Unicórnios de Moedas

Este artigo tem mais de 1 ano

Na Fábrica dos Unicórnios, Macron e Moedas falaram sobre inovação e inteligência artificial. Presidente francês deixou o Beato com um elogio pelo encontro com Trump e com a chave da cidade de Lisboa.

Emmanuel Macron e Carlos Moedas estiveram juntos na Fábrica dos Unicórnios, em Lisboa
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▲Emmanuel Macron e Carlos Moedas estiveram juntos na Fábrica dos Unicórnios, em Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

▲Emmanuel Macron e Carlos Moedas estiveram juntos na Fábrica dos Unicórnios, em Lisboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A conversa estava agendada para as 17h40, mas Emmanuel Macron só chegou à Fábrica dos Unicórnios de Lisboa, no Beato, por volta das 19h15. À sua espera estava já Carlos Moedas para uma conversa a dois sobre “Inovação na Europa”, que foi totalmente feita em francês e que contou com a moderação de Roxanne Varza, líder da incubadora de startups francesa Station F.

Perante uma plateia de empresários portugueses e franceses, o presidente da Câmara de Lisboa começou por recordar os tempos em que foi comissário europeu para a Investigação e Inovação: “Em 2015, eu era um jovem comissário e fui a Paris encontrar-me com um jovem ministro francês do digital e economia, Emmanuel Macron”. Trocaram números de telemóvel e partilharam ideias sobre inovação e tecnologia. Quando chegou a casa, Moedas disse à mulher que tinha conhecido um “político francês que era realmente diferente”.

Na Fábrica dos Unicórnios, numa conversa marcada pela necessidade de a União Europeia ser competitiva face a outras potências e pelos desafios relacionados com a inteligência artificial, existiu ainda espaço para que o autarca lisboeta se desfizesse em elogios ao Presidente francês, nomeadamente devido à forma como esteve no encontro com o homólogo norte-americano, Donald Trump. “Vou dizer-lhe, como português, senhor Presidente, que estamos muito, muito tranquilos por vê-lo nos Estados Unidos. O mundo está num momento muito complicado e a forma como esteve com o Presidente Trump foi muito, muito importante para a Europa. Sentimo-nos muito tranquilos por estar consigo”, disse Moedas, uma declaração que lhe valeu fortes aplausos por parte do público.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quanto à inteligência artificial, tecnologia que foi tema central numa recente cimeira em Paris, Macron falou sobre a importância de a União Europeia conseguir fazer frente a outras nações. “Não acredito de todo que a inteligência artificial substitua o ser humano. Por outro lado, é uma ferramenta extraordinária para inovar muito mais rapidamente e conseguir abrir novos caminhos em muitos domínios”, reconheceu o líder francês, adiantando que “o grande ponto forte” da Europa é “o talento”.

Numa base per capita, somos provavelmente o local do mundo que forma mais investigadores, mais génios, em IA. Porque temos tendência a ter boas escolas e boa formação em matemática e dados científicos. Isto é verdade em França, mas também é verdade na Europa”, disse o Presidente francês.

Defendendo que a União Europeia precisa de avançar na construção de data centers e que nesse campo está “muito atrasada”, Emmanuel Macron falou ainda sobre a indústria de semicondutores (também designados chips) e salientou a necessidade de serem fabricados em solo europeu. Além de realçar a importância de reter talento, o Presidente francês mostrou-se esperançoso de que a UE vá conseguir competir em matéria de inteligência artificial: “Há sempre uma solução europeia. Há uma solução europeia porque, de facto, estamos a criar clientes com profundidade de mercado e estamos também a conseguir criar IA que será nativamente europeia.”

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A conversa entre Emmanuel Macron e Carlos Moedas terminou com uma surpresa por parte do presidente da Câmara de Lisboa, que fugiu ao ‘protocolo’ para chamar ao palco um grupo de alunos do Liceu Francês de Lisboa. De seguida, o autarca entregou a chave da cidade ao Presidente francês.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“É uma honra que o Presidente francês tenha querido vir à Fábrica dos Unicórnios”

Antes da chegada de Emmanuel Macron ao Beato, Carlos Moedas disse aos jornalistas que era “uma honra que o Presidente francês tenha querido vir à Fábrica dos Unicórnios” e destacou a presença de Roxanne Varza, líder da francesa Station F, revelando que ajudou a construir este projeto dedicado à inovação na capital portuguesa.

“O Presidente Macron queria ver com os seus olhos aquilo que está a acontecer aqui, as várias empresas que vêm de todo o mundo. Também há muitos franceses que estão cá, que criaram cá as suas empresas. Estava a falar agora com o Jon Fath, que criou a [fintech] Rauva, uma grande financeira, que já tem mais de 100 pessoas em Lisboa”, afirmou o autarca lisboeta, acrescentando que o líder francês queria “contactar com estas pessoas”.

Até ao momento, a Fábrica dos Unicórnios de Lisboa, idealizada por Carlos Moedas e lançada em 2022, já acolheu mais de 700 startups e trouxe “14 unicórnios” (empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares) para a capital. Após destacar estes números, o autarca mostrou-se “muito feliz” que “numa visita de Estado, que é normalmente bastante formal”, Macron tenha “escolhido algo tão informal, mas tão importante para a cidade”, como a inovação (e o projeto dos unicórnios).

Fundadores da Rauva são os vencedores do prémio de empreendedorismo João Vasconcelos

Questionado sobre uma possível recandidatura, em ano de eleições autárquicas, o presidente da Câmara de Lisboa voltou a não abrir o jogo e a manter o tabu. “Hoje é um dia para receber o Presidente francês. Sobretudo, ainda temos muito trabalho pela frente, com estas empresas e com tantas outras, atrair este talento para Lisboa, um talento que cria emprego. O que falamos aqui é de uma inovação de rotura, uma inovação que cria emprego e postos de trabalho. Eu ainda tenho muito trabalho pela frente. Sou presidente da Câmara e vou continuar a ser. Obviamente que o tempo chegará para tomar essas decisões, mas não é nem o momento, nem o tempo, nem a hora”, respondeu, salientando que estava no Beato para “falar de inovação”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Quanto à chuva, que se fez sentir ao longo de praticamente toda esta quinta-feira, Moedas disse que era “sinal de alegria, um sinal de que estamos aqui para receber o Presidente Macron”. O líder francês está em Lisboa, numa visita que arrancou no Mosteiro dos Jerónimos e que terminou com um jantar de Estado. Esta sexta-feira, Macron continuará em Portugal, mas segue para o Porto.

A receção à chuva nos Jerónimos e o encontro em São Bento. O primeiro dia de Macron em Lisboa, de mãos dadas com Marcelo e Montenegro

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