Tradicionalmente, as empresas evitam imiscuir-se em temas que podem ser vistos como fracturantes, como sejam a política, a religião ou até o futebol. O CEO da Tesla, Elon Musk, preferiu ignorar este princípio e o resultado traduz-se (pela negativa) em números. Nos últimos três meses, o construtor de automóveis eléctricos viu o seu valor em bolsa cair cerca de 800 mil milhões de dólares (cerca de 734 mil milhões de euros) e, ao que tudo indica, a queda poderá não ficar por aqui.
Encerrando o dia de ontem a 230,58 dólares o título, a Tesla praticamente igualou os 231,24 a que as suas acções foram transaccionadas há quatro anos (12/03/2021), ainda assim bem acima dos 36,44$ a que mudou de mãos um ano antes. No entanto, trata-se de uma regressão importante.
Logo após a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas, a colagem de Musk ao novo Presidente fez disparar o preço das acções, que saltaram de 242,84$ no início de Novembro para 479,86$ a meados de Dezembro. Mas desde então, com as inúmeras polémicas em que Musk se envolveu, arrastando a Tesla, os títulos não pararam de cair, encerrando ontem a 230,58$.
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Não obstante, esta queda não significa que a Tesla está pelas ruas da amargura, pois o construtor norte-americano de veículos eléctricos continua com um valor de 722 mil milhões de dólares, o que o coloca confortavelmente como o construtor mais valioso do mundo. A sua capitalização bolsista é mesmo superior à soma do restantes top 10, uma vez que a Toyota, o maior construtor de automóveis do mundo e o segundo mais valioso, vale “apenas” 243 mil milhões de dólares, enquanto o Grupo VW, líder na Europa e o segundo maior no mundo, não chega aos 60 mil milhões.
Talvez mais preocupante do que este “sobe e desce” artificial, alimentado pelas afirmações de Musk, é o facto de os analistas da UBS terem previsto, esta semana, que a Tesla venderá somente 367.000 veículos no 1.º trimestre de 2025. A confirmar-se, tal representará uma redução de 6% face às 386.810 unidades comercializadas no mesmo período de 2024 e 9% menos do que o registado no 1.º trimestre de 2023. É certo que o renovado Model Y, que representa 67% das vendas da marca, não começou ainda a ser entregue na maioria dos mercados europeus, como Portugal, tendo arrancado nos EUA apenas a 1 de Março. Contudo, caso se materializem as previsões dos analistas, a Tesla vai ter de recuperar muito para se aproximar dos 1,8 milhões de veículos nos 12 meses de 2025.