Manuela Ferreira Leite, antiga líder do PSD, considera que um entendimento entre o PSD e o PS seria “muito útil” para o país num cenário de pós-eleições em que nenhum partido conseguisse a maioria absoluta para governar. “É uma via que seria muito útil para o país. Não tenho a mínima dúvida sobre isso. É evidente que qualquer acordo nessas matérias é benéfico para o futuro do país. O interesse das pessoas é muito mais importante que os interesses partidários“, defendeu esta segunda-feira a social-democrata no programa Explicador da Rádio Observador.
Nas mesmas declarações, e em referência ao que o executivo de Luís Montenegro fez no seu mandato, a antiga líder dos sociais-democratas afirmou que nos últimos onze meses o país assistiu a uma grande mudança. “Sentiu-se que o país se estava a mexer, a progredir e a beneficiar as pessoas”, disse, referindo-se às “atualizações em classes profissionais, à diminuição dos impostos e ao aumento dos níveis de poupança” que em nada “arruinaram as contas públicas”.
Sobre o escrutínio ao primeiro-ministro em torno da empresa familiar, a social-democrata criticou a polémica e diz ser “perfeitamente natural” que Luís Montenegro tenha negócios. “Valorizo todos aqueles que não precisam da política e a que a ela se entregam. Lamento muito que o país possa enveredar por uma situação em que arreda os melhores da sua contribuição pública”, defendeu.
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Manuela Ferreira Leite considera, ainda, que a lista de candidatos do PSD para as eleições legislativas de 18 de maio não é decisiva para o partido liderado por Luís Montenegro vencer as eleições e, por isso, descarta qualquer problema nas escolhas sociais-democratas. “O que é determinante é o sentimento geral das pessoas. Se esperam ou não melhorias e se as políticas vão fazer resultado. A escolha das listas tem importância, mas não me parece que seja um elemento decisivo”, garante.
A terminar, e questionada sobre a eventual candidatura de Henrique Gouveia e Melo a Belém, disse acreditar que quem criou a campanha em torno do almirante foi a comunicação social. “Ele [Gouveia e Melo] tem feito uma campanha gratuita à conta da comunicação social. A adesão é tanto maior quanto o seu silêncio e a comunicação social falar nele”, conclui.