O procurador-geral da Rússia proibiu, esta quinta-feira, as atividades da Elton John AIDS Foundation no país por considerar que se trata de uma “organização indesejável” que promove “relações sexuais não tradicionais“. A organização sem fins lucrativos do músico britânico foi criada em 1992 e atualmente trabalha em mais de 90 países, tendo sede em Londres e em Nova Iorque. Foca-se, sobretudo, na prevenção, tratamento e consciencialização sobre o HIV.

Desta vez… Putin ligou mesmo a Elton John!

Os promotores russos alegam, no comunicado onde anunciam a medida, que a instituição defende a promoção de relações sexuais não tradicionais, os modelos familiares ocidentais e a mudança de género. “Têm uma atitude negativa em relação às políticas dos países que protegem os valores espirituais e morais tradicionais. Com o início da operação militar especial, estão a participar na campanha de informação do Ocidente para denegrir a Rússia”, pode ler-se na nota.

“Quando um músico joga com os promotores da democracia, obtém-se propaganda. E se Elton John está ao piano, não se trata apenas de propaganda anti-russa”, afirmou o gabinete do procurador numa declaração no seu canal oficial do Telegram, citada pela agência Reuters. “As ONG (organizações não governamentais) participam ativamente numa campanha de informação orquestrada pelo ‘Ocidente coletivo’ para desacreditar os valores tradicionais e aumentar as tensões sociais”, sublinhou.

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Elton John, que deu inúmeros concertos esgotados na Rússia, manifestou-se, no passado, contra aquilo que diz ser uma “discriminação inaceitável contra os homossexuais por parte das autoridades russas”. Vladimir Putin rejeitou estas afirmações e apresentou a Rússia como um país de “valores tradicionais” que está a lutar contra um “Ocidente decadente”.

No entanto, esta medida realça a repressão da Rússia à comunidade, já que o Supremo Tribunal declarou, em 2023, o “movimento social LGBT internacional” como uma “organização extremista“. Também a ofensiva do Kremlin aos direitos LGBT intensificou-se depois da invasão à Ucrânia, tendo o país aprovado, em 2022, uma legislação que proíbe a expressão pública da comunidade.

Rússia classifica movimento público LGBT como organização extremista