A história estava cada vez mais perto… outra vez. A primeira jornada dupla da Liga das Nações superou as expectativas mais sensatas e correu melhor do que se esperava. No início da nova edição, Portugal bateu o pé à super Inglaterra e arrancou um importante empate com golo de Kika Nazareth (1-1). Seguiu-se uma difícil deslocação à Bélgica e, num jogo complicado, as Navegadoras garantiram o triunfo fruto de um penálti convertido por Carole Costa (0-1). Assim, ao cabo de duas jornadas, a Seleção feminina liderava o Grupo A3 da Liga das Nações, em igualdade pontual com as inglesas, e estava em posição para sonhar com algo mais que fugir à despromoção direta e ao playoff.
Um clássico que se chama “o penálti de Carole”: Portugal vence Bélgica na Liga das Nações
Ainda assim, convinha manter os pés bem assentes na terra antes de mais um jogo de grau de dificuldade elevado. O Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira, vestiu-se de gala e esgotou para receber o início de mais uma dupla jornada e, pela frente, estava nada mais nada menos que a campeã do mundo Espanha. Na teoria, a tabela até favorecia as portuguesas, que tinham mais um ponto que nuestras hermanas, que perderam na deslocação a Wembley (1-0). Na prática, a seleção forasteira era amplamente favorita, chegava a Portugal em busca de responder ao desaire da última jornada… e tinha o histórico do seu lado: três vitórias nos três jogos oficiais realizados até então.
“Portugal tem de ser super organizado, muito coletivo, sabendo que vamos passar momentos sem bola e que temos de ter capacidade para impedir o poderio ofensivo de Espanha, sem esquecer o que temos vindo a trabalhar: a capacidade para ter a bola sob pressão. Sabemos que é difícil, pois são equipas altamente dominadoras, mas acreditamos no poderio das nossas jogadoras. O espírito de entreajuda é essencial. É um privilégio para nós representar o nosso país contra as campeãs do mundo. A forma como as nossas jogadoras acreditam nas nossas ideias faz com que sejamos cada vez mais competitivos”, assumiu Francisco Neto na antevisão.
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Para este encontro, o selecionador nacional ficou sem os importantes contributos de Kika — rompeu o ligamento lateral interno do tornozelo esquerdo e já não joga esta época —, Jéssica Silva — perdeu temporariamente a visão do olho direito e continua a recuperar — e de Lúcia Alves — sofreu um trauma no joelho direito e teve de ser substituída por Nádia Gomes. Para além desse trio, Neto destacou ainda as ausências de Andreia Bravo e Fátima Pinto, médias do Sporting que estavam na sua lista, mas tiveram de ser retiradas devido a uma rotura dos ligamentos e uma lesão não revelada, no caso de Pinto. “Infelizmente não estão disponíveis, mas não nos focamos muito nisso. Nunca servirá de desculpa e acreditamos muito nas que aqui estão”, sublinhou o técnico.
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Assim, as Navegadoras entraram em campo com Inês Pereira a segurar a titularidade na baliza, Ana Borges, Carole e Diana Gomes na defesa, Catarina Amado e Joana Marchão nas alas, Andreia Jacinto, Tatiana Pinto e Andreia Norton no miolo e Diana Silva e Ana Capeta no ataque. Bárbara Lopes e Nádia foram as jogadoras preteridas da convocatória. Do outro lado, Montse Tomé manteve o tradicional 4-3-3, com Cata Coll; Jana Fernández, María Méndez, Laia Aleixandri, Leila Ouahabi; Patri Guijarro, Aitana Bonmatí, Alexia Putellas; Salma Paralluelo, Mariona Caldentey e Clàudia Pina. No banco ficou a benfiquista Cristina Martín-Prieto.
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Portugal teve um início de jogo destemido, colecionando dois remates nos primeiros dois minutos, mas Diana Silva e Norton acabaram por não conseguir superar Coll. Espanha adaptou-se, soltou-se, começou a mostrar incursões no último terço, e quase inaugurou o marcador por Guijarro, que obrigou Inês Pereira a um grande voo (12′). Pouco depois, a defensiva nacional falhou um alívio, Aitana recuperou e, com um grande cruzamento, colocou a bola em Patri que, completamente sozinha ao segundo poste, desviou para o 0-1 (25′). Contudo, a vantagem durou pouco tempo, já que Diana Silva aproveitou uma falha no posicionamento da defesa espanhola para isolar Catarina Amado que, só com a guarda-redes pela frente, driblou-a e atirou para a baliza deserta (27′).
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A partida continuou intensa e disputada ao limite, mas com as campeãs do mundo mais perto da baliza portuguesa. Na reta final da primeira metade, Clàudia Pina levantou para a área, a defesa cortou mas a bola voltou aos pés da avançada do Barcelona que, sem oposição e com tempo para tudo, colocou a bola na cabeça de Laia (40′). Pouco depois, Diana Silva foi batida por Salma Paralluelo na transição, esta isolou Pina que, depois de obrigar Inês a mais uma grande defesa, fez o terceiro na recarga, impedindo a reação das comandadas de Francisco Neto (43′).
Na segunda parte, as sonhadoras entraram dominadoras e quase dilataram o resultado no início, mas o cruzamento perigoso de Putellas não teve seguimento (49′). Contra o sentido do jogo, Jana Fernández cometeu uma alegada falta sobre Joana Marchão em cima da linha da grande área e a árbitra Iuliana Demetrescu assinalou o castigo máximo. Na cobrança, Carole Costa voltou a mostrar-se irrepreensível, enganou Coll com um remate colocado e relançou a partida (56′). Depois de uma toada mais quezilenta, com várias faltas e amarelos, Caldentey apareceu com perigo na área portuguesa, passou por Borges, mas pecou na finalização, que saiu por cima (67′).
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Francisco Neto refrescou, então, o meio-campo com Dolores Silva e Andreia Faria nos lugares de Jacinto e Norton, com Montse Tomé a responder com Esther González e Vicky López. As primeiras alterações traduziram-se numa superioridade tímida de Espanha, com Portugal a tentar surpreender na transição, essencialmente com bolas lançadas para as costas das centrais, à procura da velocidade de Capeta. Na cobrança de um canto, Marchão tentou surpreender e colocou a bola na direção da baliza, mas Cata Coll estava atenta e socou a bola (78′). Já com Ana Dias, Telma Encarnação e Ana Seiça em campo, Athenea Del Castillo arrancou para direita, cruzou para a área e Eshter González encostou para o 2-4 final (88′).
Torreicher Auswärtssieg: Weltmeister Spanien gewinnt mit 4:2 in Portugal pic.twitter.com/bYTtUyo6PM
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Com este resultado e a vitória de Inglaterra frente à Bélgica, Portugal caiu para o terceiro lugar, mantendo os quatro pontos. Na liderança continuam as inglesas, agora com sete pontos, seguidas pela armada espanhola, com seis. Terça-feira há nova cimeira ibérica nesta Liga das Nações, com as duas seleções a medirem forças em Vigo, no Balaídos, a partir das 18 horas.