O investigador Bruno Sena Martins e o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra terminaram, por mútuo acordo, a relação laboral que mantinham, anunciou esta sexta-feira a direção desta instituição. A decisão surge um dia após o Diário de Noticias revelar duas novas denúncias de violência sexual contra o antropólogo, que era investigador do CES desde 2011.

As denúncias dizem respeito a factos alegadamente ocorridos em 2017, com duas mulheres estrangeiras, uma peruana e uma brasileira, a denunciar casos de violência sexual, e seguem-se à acusação de violação que lhe foi feita pela norte-americana Miye Nadya Tom.

“A direção do CES e o investigador Bruno Sena Martins decidiram, esta sexta-feira, terminar, por mútuo acordo, a relação laboral existente e o vínculo entre o investigador associado e a instituição, com efeito imediato”, informou o centro de estudos.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a direção do CES esclarece que as duas partes entenderam “não estarem reunidas as condições adequadas para a continuação do seu trabalho de investigação de uma forma serena e produtiva”.

“A direção do CES continua a reconhecer como válidas e relevantes as conclusões e recomendações contidas no relatório da Comissão Independente, estando comprometida com o desenvolvimento e implementação de uma política eficaz de prevenção e combate a todas as formas de assédio e abuso”, acrescentou.

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A decisão é anunciada poucas semanas depois da direção do CES ter informado que um inquérito não encontrou fundamento para abrir processo disciplinar ao investigador Bruno Sena Martins, visado num capítulo de um livro com denúncias de assédio na academia.

CES. Inquérito a investigador Bruno Sena Martins não encontrou fundamento para processo disciplinar

“Na sequência do encerramento do processo prévio de inquérito que não resultou na abertura de quaisquer processos disciplinares, o investigador Bruno Sena Martins levantou a suspensão do exercício de cargos de responsabilidade e/ou representação institucional, que havia sido solicitada pelo próprio em abril de 2023”, divulgou na altura o CES de Coimbra.

Três investigadoras que passaram pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade (CES) de Coimbra denunciaram situações de assédio num capítulo do livro intitulado “Má conduta sexual na Academia – Para uma Ética de Cuidado na Universidade”, o que levou a que os investigadores Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins ficassem suspensos de todos os cargos que ocupavam no CES, em abril de 2023.

O CES acabou por criar, meses depois, uma comissão independente para averiguar as denúncias, tendo divulgado o seu relatório quase um ano depois, em 13 de março de 2024, que confirmou a existência de padrões de conduta de abuso de poder e assédio, por parte de pessoas em posições hierarquicamente superiores, sem especificar nomes.

De acordo com o relatório então divulgado à comissão independente, foram denunciadas 14 pessoas, por 32 denunciantes, num total de 78 denúncias.