Não é fácil decidir, nos dias que correm, o rumo ideal para um construtor de automóveis, especialmente se tiver o mercado europeu como objectivo principal, como acontece com a Volvo. Em 2022, o construtor sueco substituiu Hakan Samuelsson, o CEO que lhe definiu o rumo nos 10 anos anteriores, por Jim Rowan, cuja experiência profissional ligada à indústria automóvel era (quase) nula, pois estava ligado desde 2012 à Dyson, especialista em aspiradores e secadores de mãos, primeiro a desenvolver o e-commerce e depois como CEO, precisamente no período em que a empresa britânica anunciou a concepção e produção de um veículo eléctrico, projecto que morreria antes de ver a luz do dia. Entre a Dyson e a Volvo Cars, Rowan passou ainda pela Ember Technologies, especializada na produção de canecas e biberões para bebés com indicação da temperatura do líquido.

O homem do aspirador (sem saco) vai fazer carros eléctricos

Se Rowan foi mandatado com o objectivo de tornar a marca 100% eléctrica já em 2030, ou seja, cinco anos antes do limite imposto pela União Europeia, Samuelsson regressa à Volvo para garantir que as mecânicas híbridas e híbridas plug-in não vão desaparecer tão cedo, continuando a ser propostas até a UE as banir de vez. Não deixa de ser curioso que Rowan saia precisamente depois de ter registado o melhor ano dos 98 anos de vida da Volvo, construtor que em 2024 transaccionou 763.389 unidades, batendo recordes de produção, de venda e de lucro.

Dyson. O automóvel “aspirador” eléctrico morreu

Hakan Samuelsson regressa à casa onde já foi feliz e parece pronto para enfrentar os desafios, que afirma serem “muitos e vindos de todas as direcções”. O novo CEO pode prolongar a vida dos actuais motores electrificados (HEV e PHEV), mas dificilmente conceberá novos, uma vez que a marca pertence a 100% à chinesa Geely, hoje muito forte nos veículos exclusivamente a bateria, possuindo abundância de plataformas específicas para este tipo de tecnologia, bem como motores eléctricos, software e, em breve, até acumuladores de produção própria. O que fica provado pela actual oferta da marca, que se estende dos pequenos EX30 e EX30 Cross Country, aos grandes EX90, ES90 e EM90.

Hakan Samuelsson regressa ao cargo de CEO da Volvo Cars, que já foi seu entre 2012 e 2022

Com apenas dois anos para mostrar serviço, de acordo com o anúncio da Volvo, será interessante ver como é que Samuelsson vai conduzir o construtor sueco rumo ao crescimento, sobretudo agora que o mercado norte-americano está mais complicado, depois da guerra de tarifas implementada por Trump. Contudo, também aqui a Volvo pode ter uma saída mais fácil do que alguns concorrentes do segmento de luxo, dado que já possui uma fábrica nos EUA capaz de ser ampliada, até porque deverá ter de acolher parte da produção da Polestar, marca do mesmo grupo Geely e que a Volvo lançou inicialmente como departamento de competição e veículos especiais.