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A Marinha portuguesa acompanhou 143 navios da Rússia entre 2022 e 2024, confirma o chefe de Estado-Maior da Armada, o almirante Nobre de Sousa, em entrevista ao jornal Público, revelando que “temos tido tentativas de interrupção ou de recolha de informação em cabos submarinos” no decorrer dos últimos dois anos.
“A Marinha está atenta e faz o que pode fazer. E até numa perspetiva muito de antecipação, segue-os”, assegura o almirante, que identifica as embarcações russas como “navios oceanográficos” que “andam em missões científicas em zonas que, cientificamente, fazem pouco sentido”. A amostra de “navios científicos russos” tem-se mantido relativamente constante neste período de tempo (14), mas os restantes com pavilhão da Rússia quase que duplicaram entre 2023 (46) e 2024 (83) — sempre sem submarinos.
Apesar de se verificar uma maior presença russa em mar português, o almirante Nobre de Sousa não vê esta mobilização como uma maior ameaça da Rússia. “Essa ameaça, com maior ou menor graduação, com maior ou menor intensidade, sempre existiu”, afirma, dizendo que este fator tem sido uma “constante” ao longo dos seus 40 anos de serviço militar.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, disse que “a costa portuguesa está nos olhos da Rússia”, mas o Chefe do Estado-Maior da Armada garante que, dada a guerra na Ucrânia, “a sociedade está mais desperta para o assunto da defesa”, que “Portugal dá o seu contributo na deteção [de ameaças]”, e, em cenários de “maior crise”, está equipado para “corresponder àquilo que vier a ser necessário”.