Acompanhe o liveblog sobre a guerra na Ucrânia

Os EUA e a Ucrânia assinaram na sexta-feira um memorando de intenções ligado ao acordo de extração de minérios. Em fevereiro, Volodymyr Zelensky foi a Washington para discutir a assinatura do acordo, mas saiu de mãos a abanar após uma discussão na Sala Oval.

“Devias estar mais agradecido.” A transcrição completa dos sete minutos da discussão entre Zelensky, Trump e JD Vance

O memorando de intenções foi disponibilizado na íntegra no site da Presidência da Ucrânia. O documento refere que o texto serve de base a um acordo de parceria económica e que “reafirma a intenção” de as duas partes chegarem a um acordo que seja benéfico para ambas as nações”.

Guillaume Pitron. “Se Trump fizer este acordo das terras raras com a Ucrânia é potencialmente benéfico para uma empresa como a Tesla”

O que diz o memorando?

O memorando, que é assinado por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, e Yulia Svyrydenko, primeira vice-primeira-ministra da Ucrânia, começa por dizer que os EUA “já disponibilizaram um apoio financeiro e material significativo” à Ucrânia desde o início da guerra. É explicado que os dois países pretendem colaborar em questões económicas e forjar um acordo para a criação de um “fundo de investimento para a reconstrução”. As duas partes acordam ainda o compromisso de “trabalho expedito para concluir os documentos necessários” para concluir o acordo.

O documento refere que “o povo americano quer investir ao lado do povo ucraniano numa Ucrânia livre, soberana e segura” e que os “EUA reconhecem o contributo da Ucrânia em fortalecer a paz internacional e a segurança ao abdicar voluntariamente do terceiro maior arsenal global de armas nucleares”.

É também declarado que os EUA “respeitam a intenção da Ucrânia” de evitar “conflitos na criação do acordo” tendo em conta as “obrigações da Ucrânia no âmbito do acesso à União Europeia ou acordos com instituições financeiras e outros credores oficiais”.

As terras raras podem definir a guerra da Ucrânia?

Equipas de negociação têm de reportar desenvolvimentos até 26 de abril

O memorando revela que, “sem prejuízo de quaisquer procedimentos político ou legais necessários para concluir o acordo”, o primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, visitará Washington na semana de 21 de abril para se encontrar com Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA. O encontro servirá para “a conclusão de discussões técnicas sobre os termos de um acordo que estabelece um fundo de investimento para a reconstrução”.

Fica assente que as equipas de negociação “têm de reportar o progresso [sobre as discussões] até 26 de abril de 2025, com o objetivo de concluir as discussões até essa data e assinar [o acordo] assim que possível”.

No entanto, Donald Trump já transmitiu que espera desenvolvimentos ainda antes desse prazo, apontando para 24 de abril. “Temos um acordo de minerais que acho que será assinado na quinta-feira. Em breve. E assumo que estejam à altura do acordo”, afirmou esta semana, citado pela Sky News.

Que minerais tem a Ucrânia?

A Ucrânia tem reservas significativas de minerais críticos e terras raras, matérias-primas que são usadas em várias áreas, mas com particular destaque na área tecnológica. Antes da guerra, em fevereiro de 2022, os minerais representam 6,1% do PIB da Ucrânia e 30% das exportações do país, refere a Sky News.

O país tem reservas de, por exemplo, cobre, níquel, lítio e titânio que, além da tecnologia e eletrónica, também são usados nas áreas da energia limpa e nos sistemas de defesa.

Terras-raras. O que são os metais valiosos que Trump quer para manter o apoio à Ucrânia?