Laureen Preer passou mais de vinte anos a tentar descobrir o assassino da mãe. Esta quarta-feira, 7 de maio, teve finalmente a resposta. O seu ex-namorado da adolescência confessou o crime ocorrido em Maryland, nos EUA. A data da leitura da sentença está marcada para dia 28 de agosto e poderá determinar uma pena máxima de 30 anos para Eugene Gligor. O ADN recolhido de uma garrafa de água e um novo método de investigação adotado pelos detetives ajudaram a resolver o mistério que parecia não ter solução, conta o jornal The Washigton Post.
Durante o julgamento, Eugene Gligor, de 45 anos, admitiu, pela primeira vez em 23 anos de uma vida aparentemente normal, ter estrangulado mortalmente, em 2001, Leslie Preer dentro da sua própria casa em Chevy Chase. O caso, que tinha sido encerrado há vários anos, foi reaberto em 2022, resultando na detenção de Gligor dois anos depois, em 2024. Ao The Washington Post, alguns amigos afirmaram ter ficado surpreendidos. “Foi quase impossível acreditar”, afirmou Joseph McDermott, ex-colega de trabalho, que o descreveu como sendo uma pessoa “feliz e otimista”.
A 2 de maio de 2001, Leslie Preer não apareceu no emprego. O marido e a então colega de trabalho estranharam a repentina ausência e decidiram verificar se a mulher estava em casa. No local, encontraram uma mesa caída, o tapete fora do lugar e vestígios de sangue seco. Acabaram por a encontrar na casa de banho, dentro da banheira. A autópsia, analisada pelo The Washington Post, revelou que a vítima tinha sinais de estrangulamento. A investigação dos detetives de Montgomery concluiu que quando Leslie estava sozinha, alguém entrou em casa e a atacou mortalmente. Em seguida, o assassino levou o corpo para o andar de cima, deixando-o na banheira.
Em setembro de 2022, mais de 20 anos depois, a investigação foi reaberta através de um novo método de investigação que permitiu analisar as marcas de sangue e amostras de ADN recolhidas na cena do crime. Os investigadores decidiram enviar estas pistas a empresas especializadas em genealogia. Estas empresas recebem amostras de ADN de milhões de pessoas e descobrem as suas origens étnicas através de uma base de dados de código genético.
[Leão XIV é o papa de que a Igreja precisa? No podcast “A História do Dia“, só precisa de 15 minutos para ficar bem informado. Conversamos com os jornalistas da redação do Observador e com especialistas para lhe explicar tudo sobre a história mais importante do dia. E ainda lhe damos um resumo rápido das notícias que tem mesmo de saber. Pode ouvir aqui, na Apple Podcasts, no Spotify ou no Youtube Music]
Inicialmente, este método não foi eficaz na investigação, tendo os resultados remetido os detetives para duas mulheres que viviam na Roménia. Porém, a investigadora Tara Augustin não desistiu do caso e construiu uma árvore genealógica da família, relata o Washington Post. Dois anos depois, Tara acabou por conseguir chegar a uma família norte-americana de apelido Gligor. O chefe da unidade de casos arquivados do Departamento de Polícia de Montgomery, Chris Homrock, também envolvido nesta investigação, desvendou que este foi o “momento revelação” do caso, pois o nome de Eugene Gligor já tinha sido mencionado em 2001, quando um vizinho da vítima disse tê-lo visto perto do local do crime.
No dia 9 de junho de 2024, ao saber que Eugene iria viajar de Londres até ao aeroporto de Dulles, a equipa de investigação decidiu montar uma armadilha; através dos serviços da alfândega, levaram-no para uma sala, fingindo ser uma suposta triagem, e, de forma confidencial, deixaram várias garrafas de água em cima da mesa. Eugene acabou por beber por uma das garrafas, sem saber que isto significava a descoberta de um crime que cometeu há mais de duas décadas: o ADN retirado da garrafa correspondia ao encontrado na cena do crime. 9 dias depois, a 18 de junho, Gligor foi detido no seu apartamento em Washington.
Inicialmente, a defesa de Gligor contestou a legalidade da recolha de ADN, alegando que o secretismo do processo violava a lei. Porém, na audiência de 7 de maio, Gligor declarou-se culpado do crime, evitando assim uma possível pena perpétua. A leitura da sentença está marcada para 28 de Agosto.
Em entrevista ao Washington Post, Lauren Preer, filha da vítima, confessou ter ficado surpreendida com a detenção do homem com quem namorou durante cinco anos quando ambos tinham 16 anos, tendo-se separado amigavelmente e mantido o contacto nos anos posteriores. O pai, Carl Preer, em vários momentos, suspeitou que Gligor fosse o culpado, mas Lauren nunca quis acreditar. Carl Preer acabou por morrer em 2017, sem saber quem tinha matado a mulher. Desconhecida continua, ainda, a razão que levou Gligor, com 22 anos, a agredir e a assassinar a mãe da ex-namorada.
Texto editado por Dulce Neto