Ao contrário das últimas legislativas, a AD e o PS não surgem colados. A coligação PSD-CDS destaca-se na liderança e a grande dúvida está em quem ficou em segundo lugar, numa altura em que falta apurar os círculos eleitorais da Europa e de Fora da Europa, que serão decisivos.

Segundo lugar (e principal opositor à AD) será decidido pelos votos da emigração

O Partido Socialista perdeu terreno, incluindo para o Chega, que venceu em quatro distritos e conseguiu furar a bipolarização. Em termos concretos, estes dois partidos surgem empatados com 58 deputados numa corrida que é liderada pela AD, com 89. A Iniciativa Liberal é a quarta força política, com nove mandatos, seguida pelo Livre, com seis, a CDU, com três, e BE, PAN e JPP com apenas um.

Açores. AD (com PPM) vence e rouba deputado ao PS

É o único círculo em que a coligação PPD/PSD+CDS-PP ainda mantém o terceiro parceiro original da AD, o PPM. Esta é, contudo, a única divergência em relação à tendência nacional, já que no toca aos resultados, a AD conseguiu um reforço da sua votação, paralelo aos resultados totais. Apesar de ter caído três pontos percentuais em relação à votação de 2024, a AD passou de dois para três deputados. De forma inversa, o PS perdeu um deputado e ficou reduzido a apenas um mandato. Em termos de votos absolutos, o partido que mais cresceu foi o Chega, que ganhou mais de seis mil votos e ficou a menos de um ponto percentual do PS. No entanto, isso não foi suficiente para passar do terceiro lugar e da conquista de um deputado.

Os três partidos ficaram completamente isolados dos partidos mais pequenos. A IL, que subiu do quinto para o quarto lugar, ficou-se pelos 3,45% dos votos, uma diferença significativa para os 22,85% do Chega.

Aveiro. AD vence, PS mantém segundo lugar, mas perde deputado para o Chega

Neste distrito a vitória foi da AD, que alcançou 163.617 votos (39,48 %). A coligação liderada por Luís Montenegro conseguiu o mesmo número de mandatos que em 2024 (sete), apesar da subida de mais de 14 mil votos. O PS manteve-se na segunda posição, apesar de uma quebra de 27.338 votos. Conseguiu quatro deputados, menos um do que no ano passado.

O Chega continua como a terceira força política, com 85.760 votos (20,69 %), sendo responsável por roubar um deputado ao PS, perfazendo um total de quatro — mais um do que em 2024. A Iniciativa Liberal, que continua na quarta posição, aumenta o número de votos (1.773), mas mantém o número de mandatos.

Beja. Chega destrona PS, CDU não consegue voltar a eleger

É um dos vários distritos onde o PS perdeu nestas eleições legislativas. Não só viu o número de votos descer (de 24.408 para 19.536) como perdeu o primeiro lugar para o Chega, ainda que tenha conseguido eleger um deputado, como tinha feito no ano passado. O partido liderado por André Ventura venceu pela primeira vez em Beja, com 27,73% dos votos e também conseguiu eleger um deputado.

O terceiro mandato de Beja foi para a AD, que também viu o número de votos subir face ao ano passado, mas que ficou na mesma em terceiro lugar. Em quarto manteve-se a CDU, que no ano passado foi uma das grandes surpresas por perder a representação em Beja e que não só não a conseguiu recuperar como ainda teve menos votos do que em 2024 (desceu de 11.570 para 10.000).

Braga. AD vence novamente e Chega rouba um deputado ao PS

Tal como nas legislativas de 2024, a AD venceu: alcançou 184.468 votos (36,29 %) e garantiu novamente oito deputados. O PS e Chega asseguram ambos cinco deputados. Face aos resultados do ano passado, o partido liderado por André Ventura rouba um deputado aos socialistas.

A Iniciativa Liberal também consegue eleger um deputado: o líder, Rui Rocha. Francisco Louçã, que voltou a ser candidato do BE, enquanto cabeça de lista, falha a eleição. O Bloco cai, aliás, para sexta força em Braga, superada pelo Livre, que fica em quinto, o que, no entanto, também é insuficiente para eleger.

Bragança. AD voltou a ganhar, PS em segundo. O único distrito em que Chega não elege

Tal como aconteceu nas legislativas de 2024, Bragança voltou a ser o único distrito em Portugal em que o Chega não elegeu qualquer deputado. Mesmo assim, e apesar de o resultado ter sido insuficiente para eleger, o partido de André Ventura conseguiu crescer face ao ano passado: de 18,19% para 20,42% dos votos. A Aliança Democrática voltou a ganhar o distrito, com 43,74% dos votos, e a eleger dois deputados. O Partido Socialista ficou em segundo lugar (com 25,43% dos votos, uma queda face aos 29,64% de 2024) e elegeu um deputado.

Em 2024, o ADN (Alternativa Democrática Nacional) tinha sido uma surpresa e alcançado o quarto lugar. Este ano, o partido cai para quinto e é ultrapassado pela Iniciativa Liberal.

Castelo Branco. O distrito onde o PS conseguiu a maior percentagem de votos, mas perdeu

Era uma constante desde 2011, que se manteve no ano passado: o PS conquistava Castelo Branco. Mas isso não aconteceu este ano, apesar de este ter sido o círculo eleitoral onde o PS conseguiu a maior percentagem de votos (28,59%) nestas legislativas. Ainda assim, não foi suficiente para manter o primeiro lugar. Foi a AD (com 32,30%) que venceu o distrito e conseguiu eleger dois deputados, mais um do que em 2024. Em sentido inverso, o PS perde um deputado (elege apenas um). O Chega surge em terceiro, tal como em 2024 e com 23,36% dos votos, e elege um deputado.

Coimbra. AD destrona PS, Chega no terceiro lugar

Foi um dos quatro círculos que o PS perdeu para a AD nestas eleições. Em relação a 2024, os socialistas perderam 13 mil votos e um deputado, que acabou conquistado pela AD. A coligação conseguiu o primeiro lugar, quatro deputados e um resultado melhor que o do PS no ano passado. O Chega teve uma ligeira subida e manteve o terceiro lugar, com a atribuição de dois mandatos.

Também em Coimbra, o Bloco de Esquerda caiu de quarto lugar (com mais de 12 mil votos) para sétimo (com pouco mais de 5 mil). A BE acabou ultrapassado em bloco pelos três partidos que tinham ficado nos lugares de quinto, sexto e sétimo: a IL, o Livre e a CDU. No entanto, nenhum destes partidos ultrapassou o limiar dos 5%.

Évora. PS vence Évora, Chega rouba segundo lugar à AD e CDU volta a não eleger

Foi o primeiro e o único distrito em que os socialistas venceram esta noite. No entanto, repetiram a queda de mais de cinco mil votos que já tinha sofrido de 2022 para 2024. Com 23.616 votos (32,79 %), mantiveram um deputado único em Évora. O cenário é mais positivo para o Chega, que conquistou mais 3.234 votos e ultrapassou a AD, ainda que por uma muito curta margem: dez votos. Teve um total de 21.080 votos (24,82 %) e assegurou um mandato. A AD caiu para o terceiro lugar (24,81 %) e manteve também um deputado. Em quarto lugar, a CDU voltou a não conseguir eleger no antigo bastião comunista e perdeu mais de mil e duzentos votos comparativamente a 2024, obtendo um resultado de 10,17 %.

Faro. Chega volta a ganhar Faro e rouba mais um deputado ao PS. Bloco cai do quarto para o oitavo lugar

Foi o primeiro distrito em que o Chega venceu numas eleições e tem sido palco do seu avanço. Este ano, o partido liderado por André Ventura voltou a crescer neste distrito, alcançando 78.168 votos (33,90 %) — mais 13.940 votos do que no ano passado. Isto quer dizer que consegue quatro mandatos, mais um que em 2024.

A AD, de Luís Montenegro, sobe ao segundo lugar, com 59.353 votos (25,74%), mais 6.468 votos. Apesar deste aumento, mantém o mesmo número de mandatos — três. A maior queda é do PS: menos 12.830 votos. Além de cair da segunda posição, perde um deputado para o Chega. Os socialistas ficam-se, assim, pelos 47.293 votos (20,51%) e dois lugares no Parlamento.

Mais nenhum partido elege deputados, mas de notar que IL, Livre e CDU ultrapassaram o Bloco de Esquerda, que cai do quarto para o sétimo lugar ao perder 7.855 votos. Além disso, o PAN, que em 2024 teve 6.098 votos, fica-se pelos 4.161 votos.

Guarda. Distribuição mantém-se mas Bloco desce de quarto para oitavo

A Guarda foi o primeiro círculo eleitoral a fechar. E manteve a distribuição de mandatos de 2024: um para AD; um para PS e o terceiro para o Chega. A distância entre o primeiro e o segundo aumentou. A AD ficou com quase 40% (39,56%), e o PS com 26,4%. Nas eleições deste ano, a Guarda virou mais à direita. Além do Chega ter subido a posição de 18,59% para 21,13%, a IL passou a quarta força mais votada, destronando o Bloco de Esquerda que desceu para a oitava posição.

Leiria. AD volta a ganhar, Chega rouba segundo lugar ao PS

É um distrito onde o PSD costuma dominar e este ano não foi exceção. A Aliança Democrática ganhou Leiria com 37,06% dos votos e garantiu a eleição de cinco deputados — o mesmo número que tinha conseguido em 2024. Como acontece noutros distritos, o Chega ascende ao segundo lugar (23,07%) e o Partido Socialista (18,98%) cai para terceiro. A tendência verifica-se no número de deputados eleitos, o partido de André Ventura consegue eleger mais um (passa de dois para três), roubando-o aos socialistas (que fazem o caminho inverso e passam de três para dois).

Lisboa. (AD rouba Lisboa ao PS, Chega mantém-se em terceiro lugar)

Na capital, a AD ultrapassou o PS, que ali vencia desde 2019. A coligação PSD-CDS, que no ano passado já tinha ficado a 140 votos dos socialistas, venceu agora por um total de 362.506 votos (28,47%). Assegura quatro deputados na Assembleia da República, mais um do que no ano passado. Um mandato que é roubado ao PS, que fica em segundo lugar com 301.492 votos (23,68 %) e 12 deputados — menos 3 mandatos. O Chega, que permanece na terceira posição, cresce em Lisboa: mais 41.078 votos. Passa de nove para 11 deputados.

Também a IL e Livre aumentam ambos um deputado. Com 7,63%, os liberais ficam com quatro mandatos e, com 6,87%, o partido de Rui Tavares três mandatos. Alcançados à custa da CDU e do BE, que perdem um deputado cada. A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, conseguiu ser eleita neste círculo com 2,49% dos votos, mantendo-se mais uma legislatura como deputada única do partido.

Madeira. A vitória da AD e eleição inédita do JPP

A vitória da AD esteve longe de ser uma surpresa, num círculo que que sempre se pintou de laranja — com 41,35% dos votos e um aumento de quase cinco mil votos, a AD voltou a conquistar três dos seis mandatos madeirenses. Mas a Madeira também foi palco de um momento inédito na História da política portuguesa: um partido conseguiu entrar pela primeira vez no Parlamento por outro círculo que não o de Lisboa, o mais numeroso. O JPP conseguiu 12,32% dos votos e roubou o segundo deputado ao PS, que caiu do segundo lugar de 2024 para o terceiro, com apenas 13,46% dos votos. O segundo lugar passou a ser ocupado pelo Chega, que chegou aos 20,90% dos votos e conquistou um mandato, tal como já tinha feito nas últimas eleições.

Portalegre. Chega conquista distrito que era do PS; AD volta a não conseguir eleger

Portalegre apenas elege dois deputados. Tal como aconteceu no ano passado, um foi para o PS e outro para o Chega. Ou seja, a AD voltou a não conseguir eleger, apesar de ter tido mais votos (15.458 versus 14.132). Ao contrário de 2024 e até de 2022: o PS não conseguiu vencer o distrito e perdeu para o Chega. O partido de André Ventura conquistou 29,90% dos votos, enquanto os socialistas obtiveram 28,00%. Em quarto lugar manteve-se a CDU, com 5,17%.

Porto. AD volta a vencer, Chega cresce mas não supera o PS e BE desaparece

A AD repetiu a vitória do ano passado neste distrito com uma contagem de votos superior (mais 36.510 votos). Assegura 15 mandatos, mais um do que nesse ano. O PS mantém-se como segunda força política, com 263.793 votos (24,04 %) e 11 deputados, perde dois para o Chega. O partido de André Ventura cresce no Porto de 170.910 votos para 226.806 votos e assegura nove mandatos.

A Iniciativa Liberal também aumenta o número de votos, ainda que mantenha os dois mandatos que assegurou em 2024. O Livre cresce no Porto e consegue dois deputados, incluindo um que rouba ao BE, que não garante mandato com os 22.192 votos que recebeu. A CDU, por seu turno, conseguiu eleger um deputado, tal como aconteceu no ano passado.

Santarém. PS cai de primeiro para terceiro, AD vence e Chega em segundo lugar

Tinha sido por muito pouco. Em 2024, o Partido Socialista ganhou Santarém, mas apenas por cerca de 1.500 votos. Pouco mais de um ano depois, os socialistas não só caem para terceiro lugar (22,75%) como perdem um deputado (elegem dois). Em sentido inverso, está a AD que deixa de ocupar o segundo lugar, vence o distrito com 30,60% dos votos e assegura quatro mandatos (mais um do que no ano passado). O Chega ascende ao segundo lugar, com 28,13% dos votos, e garante três deputados, o mesmo número das últimas legislativas.

Setúbal. Chega ganha Setúbal, PS em segundo, Bloco perde deputada

Foi o penúltimo círculo eleitoral a fechar e trouxe uma nova vitória para o Chega por 129.569 votos (26,38 %). O partido liderado por André Ventura superou assim o Partido Socialista, que ali tinha vencido em 2024, e garantiu seis deputados, dois roubados precisamente aos socialistas. Caindo do primeiro para o segundo lugar, depois de uma perda de 34 mil votos, o PS ficou com cinco deputados. Por outro lado, a AD cresceu (quase mais de 17 mil votos) e ainda que não tenha mexido do terceiro lugar passou de quatro para cinco deputados. Este mandato foi roubado ao BE, que perdeu a única deputada que tinha conquistado neste círculo em 2024. CDU, Livre e IL. De notar que, se nesse ano Setúbal era um distrito de maioria à esquerda à justa (10 contra 9 mandatos), passa agora a ser dominado pela direita (12 contra 7).

Viana do Castelo. AD vence e rouba um deputado ao PS, Chega sobe ao segundo lugar

É uma nova vitória para a AD em Viana do Castelo, um distrito recuperado pelos sociais-democratas ao PS no ano passado. Conquista três mandatos, mais um do que em 2024, com 55.376 votos (39,57%). O mandato extra que a coligação PSD-CDS consegue alcançar foi ‘roubado’ aos socialistas, que perdem o segundo deputado e conseguem apenas eleger um, com 30.393 votos (21,72%). Além disso, os socialistas perdem o segundo lugar para o Chega, que também consegue um deputado por 32.141 votos.

Vila Real. AD vence e rouba um deputado ao PS

Em 2024, a AD recuperou Vila Real e conseguiu eleger dois deputados (os mesmos do que o PS). Este ano, a coligação consolida a liderança, cresce, supera a marca dos 50 mil votos e “rouba” um deputado aos socialistas, conseguindo eleger três. O Partido Socialista, apesar de permanecer no segundo lugar, perde terreno (desce dos 34.654 para os 27.990 votos) e apenas elege um deputado. O Chega volta a estar em terceiro lugar, a ficar acima dos 20 mil votos e a eleger um deputado. O ADN, que em 2024 tinha ficado em quarto lugar, cai para sexto e é ultrapassado pela Iniciativa Liberal e pelo Livre.

Viseu. AD recupera deputado perdido com roubo ao PS, Chega fica em segundo

A AD não só ganhou Viseu, com 42,73% dos votos, como conseguiu recuperar o deputado que tinha perdido no ano passado, roubando-o ao Partido Socialista. Desta forma, o número de mandatos da coligação que junta PSD e CDS sobe para quarto, enquanto que o dos socialistas desce para dois. Além de perder um deputado, o PS (21,86%) perde o segundo lugar para o Chega (22,14%). O número de votos conquistados pelo partido liderado por André Ventura traduz-se na eleição de dois deputados (igual a 2024).