Não foi difícil perceber, logo na altura, que tinha sido uma derrota mais dolorosa do que as outras. Em janeiro, quando o Manchester United perdeu com o Brighton em Old Trafford, Ruben Amorim defendeu que a equipa que orienta é “a pior da história do clube” e ainda partiu uma televisão no balneário, num acesso muito raro de fúria que deixava bem claro o que estava a sentir. Agora, sabe-se que a mágoa poderia ter ido mais longe.

De acordo com a ESPN, foi precisamente depois desse jogo que Ruben Amorim ponderou demitir-se. Num texto publicado esta terça-feira, que serve também como antevisão à final da Liga Europa, o canal norte-americano indica que o treinador português estava desolado com o facto de ter vencido apenas um jogo nos últimos oito, entre cinco derrotas e dois empates, e estava pronto para terminar um capítulo que tinha começado dois meses antes.

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Amorim nunca terá chegado a avançar formalmente com a demissão, limitando-se a abordar o tema com a cúpula do Manchester United, a própria equipa técnica e as pessoas mais próximas. Segundo a ESPN, acabou por ser convencido a ficar por Omar Berrada, o CEO dos red devils, e também Jim Ratcliffe, acionista minoritário que controla o futebol, que lhe garantiram que continuavam a achar que era a pessoa certa para desenhar os destinos dos ingleses.

Certo é que, logo em seguida, o Manchester United carimbou três vitórias consecutivas contra Glasgow Rangers, Fulham e Steaua Bucareste, algo muito raro na atual temporada. A época não se tornou mais fácil depois da fúria de janeiro, mas a verdade é que o discurso de Ruben Amorim parece ter mudado e ainda nas últimas semanas, na antecâmara de um jogo contra o Chelsea que acabou por perder, garantiu estar “longe de desistir”. 

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A ESPN conta também que o treinador português tem passado 14 horas por dia em Carrington, para preparar a crucial final da Liga Europa contra o Tottenham que acontece esta quarta-feira, sendo o primeiro a chegar por volta das 7h da manhã e um dos últimos a sair. Nos últimos dias, Ruben Amorim também recebeu um voto de confiança importante no universo do Manchester United, com David Beckham a defender a continuidade do técnico na próxima temporada.

“Acredito que agora temos um treinador muito bom e que temos muita gente que está a tentar trazer estabilidade ao clube. Mas aquilo com que os nossos adeptos se preocupam mais, acima de tudo, é com o que passa dentro de campo. E, neste momento, eles não estão a gostar do que estão a ver. Mas uma coisa é certa, os adeptos aparecem todas as semanas… 74.000 pessoas estão sempre no estádio, aconteça o que acontecer, e o Ruben sabe disso e lida bem com isso. É por isso que gosto dele e acredito que pode fazer a diferença aqui. É um técnico jovem, mas com muita experiência e sucesso para a sua idade. Por isso, acredito que ele vai fazer as mudanças necessárias para obter sucesso e precisa que lhe deem condições para tal… Só não sei se as vai ter”, disse o antigo internacional inglês, numa entrevista ao The Athletic onde também se mostrou contra uma eventual saída de Bruno Fernandes no verão.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]